Arquivos de Categoria: Livros

O Fantasma de Robert Harris

O Fantasma não é o melhor livro de Robert Harris. Enquanto, em outros livros o autor faz o leitor pensar, neste, o objetivo é entreter. Trata-se de uma estória de um “ghost-writer”, aquele que escreve em nome de terceiros, envolvido com um primeiro ministro inglês cheio de mistério e situações suspeitas. O livro deu origem ao filme O escritor fantasma de Roman Polanski.

Primeiro de tudo, o enredo é bem trabalhado. Da mesma forma, o livro é bem escrito. O que atrapalha é a estória. Tudo bem que um escritor fantasma tenha percalços com a obra encomendada. Porém, a realidade apresentada no livro fica abaixo do esperado. É muito mistério e uma ação desesperada para unir os fios desatados na estória. Assim, parece injustificável o segredo do primeiro ministro e muito fantasiosa a relação dele com outros personagens.

A sensação de quem estiver lendo, é sempre que falta algo para justificar o enredo. Parece que, a ideia central foi boa. Tanto assim, que inspirou um filme. Certamente, falou pensar melhor no projeto para ir além do básico, um suspense de entretenimento. O livro não é ruim, longe disso. Vai agradar um público menos exigente. Em contraste, com Dictador, do mesmo autor, fica a desejar.
Record – 318 páginas

Jornada dos Vassalos de Aydano Roriz

Jornada dos Vassalos é mais um ótimo livro, escritor brasileiro, que conta fatos importantes da história do Brasil, em romance. Muito bem escrito e cativante, o texto explora a invasão holandesa no Brasil e conta detalhes sobre a retomada dos espanhóis após sucessivos problemas, inclusive uma tentativa de revolta dos portugueses contra os espanhóis em Cabo Verde. São acontecimentos reais, misturados à ficção em um romance cativante.

Primeiro de tudo, Aydano Roriz é uma bela descoberta. O primeiro livro, Rigoletto, foi um suspense bem tramado. Como resultado, passei a acompanhar outras obras do autor e mergulhei com entusiasmo nos romances históricos. Acima de tudo, muito bem desenvolvidos e com um pano de fundo romanceado, capaz de prender a atenção do leitor, mesmo sem conhecimento histórico dos fatos.

Além disso, o interesse do autor em parte da história pouco explorada nos livros didáticos, torna o assunto bem interessante. Jornada dos Vassalos é o segundo livro do assunto. O primeiro, também muito bom, é Invasão à Bahia. Essas obras deveriam ser obrigatórias para entender um pouco mais sobre o país, sua diversidade e formação cultural. Assim, teríamos um horizonte mais amplo de conhecimento sobre o desenvolvimento do Brasil. Livro muito bom, de fácil leitura e cativante. Acima de tudo, um ótimo mergulho na nossa história. Recomendo a leitura.
Europa – 480 páginas

A Catedral do Mar de Ildefonso Falcones

A Catedral do Mar é um exemplo de livro bem fundamentado. Primeiro de tudo, descreve a Catalunha Medieval com esmero histórico e consegue criar a ficção sem macular nenhum detalhe importante. Anda mais, na parte final da obra é possível notar a pouca interferência da ficção no quadro histórico onde a narrativa é desenvolvida. O livro vale a pena por vários motivos, o que agrada, faz o leitor pensar.

O personagem principal Arnau surge já envolvido pelos fatos históricos existentes na Catalunha Medieval. Assim, surge a formação do caráter do personagem e sua ligação com a Catedral, que na verdade, vira o pano de fundo do romance. Em comparação com outros bons escritores, há uma perfeita convivência entre ficção e os fatos que conduzem o personagem. Não há conflito, Arnau é fruto dos acontecimentos, seu heroísmo não afronta a história.

O livro traz muitas mensagens para fazer pensar. Acima de tudo, temas como injustiças medievais, nobreza, dinheiro e inquisição. Além de refletir sobre esses temas, são apresentados juízos que merecem atenção. Devido a situações do livro, assuntos como vingança, amor, ajuda humanitária e outros tão importantes, podem ser entendidos e repensados por leitores mais atentos e exigentes. Como resultado, um livro inteligente, um romance bem cativante, uma narrativa bem embasada e uma ficção bem elaborada. Recomendo, tenham uma ótima leitura.

Intrínseca – 575 páginas

Bruxos e Bruxas de James Patterson

Novo Conceito – 272 páginas

Bruxos e Bruxas de James Patterson é o início de uma série escrita com Gabrielle Charbonnet. Parece que, a dupla teve grande inspiração em outras obras consagradas. Enquanto descreve um mundo comandado por um líder, O Único, caminha no sentido de Admirável Mundo Novo. Ao escolher dois jovens para os papeis principais da obra, dá os braços com Harry Potter. Como resultado, a estória não deixa de ser inteligente, mas parece conhecida.

Em contraste, com outro livro do autor, o dia em que o presidente desapareceu, parece um conto juvenil. Lógico que existem várias formas de contar uma mesma estória. Talvez, seja essa a intenção. Porém, não chega a despertar ou convencer o leitor para pensar sobre o tema proposto na obra. A saga entre os dois bruxinhos, toma espaço demasiado. Os aspectos inteligentes da Nova Era, o que faria o leitor pensar, fica sem um elo com os personagens. Pelo menos, é a impressão deste primeiro livro.

Acima de tudo, o livro é bem escrito. Capítulos curtos, linguagem fácil e interação de pensamento entre os personagens. Caminha entre o curioso e o fantástico. Como resultado, um livro mais interessante para os mais jovens. Tratar o tema da falta de liberdade e as formas de dominação, sempre merece respeito. Ainda mais, nos nossos tempos. Dependendo da idade do leitor, a obra passa a ser puro entretenimento.

Tripla Espionagem de Ken Follett

Tripla espionagem é o décimo sexto livro que li do mestre das reviravoltas, Ken Follett. Acima de tudo, o melhor escritor que acompanho. O livro trata de um assunto atual, israelenses e palestinos em sua interminável guerra. De um encontro casual, cria-se um clima de espionagem envolvendo todos os personagens do livro numa alucinante corrida por uma bomba nuclear. Assim, o autor amarra a estória como ninguém e envolve os personagens com o leitor.

São descritos no livro o Mossad, a KGB, os egípcios e palestinos, A estória é muito bem fundamentada e no final fica esclarecido que o texto é inspirado num acontecimento real, noticiado em 1977. Os israelenses lutam para construir uma bomba atômica antes dos palestinos. Nat Dickstein é o personagem principal. Ele elabora o sequestro de um navio carregado de urânio para a fabricação da bomba. Assim, passa a ocorrer uma batalha de espionagem para descobrir os planos de Israel.

Além do tema principal, existem estória secundarias interessantes. O coronel da KGB luta para mostrar força e garantir o filho na Universidade. Como resultado, uma fotografia da burocracia russa. Nat envolve-se num romance quase impossível. O grande problema do livro é passar uma ação fantástica, quase James Bond, no sequestro do navio, com ações impensáveis de lado a lado. Quase alucinante, a estória mantém o interesse do leitor, mas é fantasiosa demais. O livro é muito bom e prende a leitura. Não chega a ser uma das mais brilhantes obras de Ken Follett. Porém, está na média de seus excelentes trabalhos.

Coluna de Fogo de Ken Follett

Arqueiro – 806 páginas
Mais um livro inteligente e bem escrito por Ken Follett. É meu autor predileto e confesso que ele ainda me surpreende com bons textos e temas interessantes e inteligentes. Coluna de Fogo fala sobre a disputa entre católicos e protestantes na Inglaterra e França. Conta detalhes sobre personagens históricos como Maria Stuart, Elizabeth Tudor, Henrique II da França e Felipe II da Espanha.
A obra é um delicioso passeio pela história através de personagens que vivenciaram a disputa entre católicos e protestantes, além de detalhar as cortes europeias da época. Basicamente é uma estória de espionagem política. Recheada com o romantismo tradicional e com reviravoltas e suspense bem colo ados na trama. Chega a fazer o leitor pensar no assunto principal, o extremismo religioso.
Todo o enredo gira em torno de dois personagens. Ned Willard e Rollo Fitzgerald. Tudo começa na cidade de Kingsbridge na Inglaterra com duas famílias tradicionais em lados opostos. Não faltam vilões e heróis ao longo da leitura e disputas amorosas. O livro é um retrato bem escrito de uma época de conflitos. Apesar de longa, a leitura é agradável e fácil. Os amores de Ned são um brinde ao romantismo e o final do livro não chega a ser um segredo. Um pouco de conhecimento da história deve fazer bem a qualquer tipo de leitor. Ótimo livro, recomendo.

Uma Breve História do Século XX de Geoffrey Blainey

Fundamento – 307 páginas
Considerado um Best-Seller Internacional, é a segunda obra do autor que chamou minha atenção. Não é um livro didático, muito menos um aprofundado estudo sobre o momento histórico do século. Trata-se um de rápida visão pessoal dos acontecimentos, com interessantes interpretações e sem uma cronologia que dê aos fatos um sentido de causa e efeito. É quase que a visão de uma pessoa diante da janela de um trem, vendo passar diante dos olhos os fatos que marcaram a história. A frase original não é minha, mas muito bem colocada sobre a obra.
O autor descreve a importância das Guerras Mundiais e suas consequências na evolução. Lembra as lutas sociais, a busca de direitos e poderes das classes. Dá uma boa noção sobre Guerra Fria, Socialismo, Queda dos Impérios, Crises Econômicas, a movimentação política e religiosa do período, o surgimento dos ambientalistas e etc. Tudo num ritmo acelerado, sem grandes discussões filosóficas. O livro é interessante para quem gosta de história ou pretende lembrar fatos marcantes do período.
Líderes e ideias são apresentados no mesmo ritmo. Algumas questões acabam pouco esclarecidas pela dinâmica da narração. Entender os motivos da Primeira Guerra Mundial não é tão fácil para o leitor. Também fica superficial o surgimento do Terrorismo, as questões ligadas ao Oriente Médio e as ações e ideias defendidas por muitos dos grandes personagens do século. É um livro interessante para dar uma visão superficial do momento histórico que passamos, mas não serve para questionamentos e argumentos mais decisivos sobre os fatos marcantes do século.

O Buraco da Agulha de Ken Follett

Arqueiro – 334 páginas
Não canso de me surpreender com o autor. Já li mais de uma dúzia dos seus livros e confesso gosto demais do capricho de suas obras e do ritmo envolvente que ele consegue dar à leitura. O Buraco da Agulha foi escrito faz muito tempo, mas entra na galeria de melhores obras do autor. Merecem ser citados, Inverno no Mundo, Eternidade por um fio e Contagem Regressiva.
O livro é ambientado na Segunda Guerra Mundial e trata de espionagem. Um espião alemão de confiança de Hitler, vive na Inglaterra. Die Nadel descobre a inventiva simulação das forças aliadas que apontavam para um ataque em Calais, quando na verdade armavam o bote na Normandia. Uma verdadeira caçada ao espião alemão acontece, envolvendo o serviço secreto inglês e até a figura de Winston Churchill.
Die Nadel consegue fugir e acaba como naufrago na Ilha das Tormentas onde vive um casal em colapso. O marido sofreu acidente após o casamento e perdeu as pernas. Mesmo assim luta contra o destino, mas evita a mulher. Ela, carente, entrega-se ao espião e descobre que ele na verdade é um assassino. Nadel mata o marido, mata um pastor que também mora na ilha e tenta escapar para a Alemanha levando provas da armação inglesa.
A caçada ao espião é bem explorada, mas o clímax do livro é a luta da mulher contra o espião. A trama é muito boa, com suspense, inteligência, intrigas e até apelo sentimental entre os desejos da mulher e os sentimentos do espião. O final é surpreendente e muito bem bolado. O livro foi a porta de entrada de Follett na literatura. Mais do que isso, foi o indicativo do talento do escritor para prender a atenção do leitor e um saboroso alerta do que viria pela frente. Ótimo livro, recomendo a leitura.

Munique de Robert Harris

O livro retrata um momento delicado da história quando Hitler começa a mexer as peças para dar início à Segunda Guerra Mundial. Inglaterra, França, Alemanha e Itália são as potencias que entram em cena para tentar adiar os planos de guerra de Hitler em 1938. O ditador alemão quer anexar partes da Tchecoslováquia como estratégia de guerra. O contraponto é o primeiro ministro inglês Chamberlain. Entre eles dois amigos de faculdade, cada um de um lado, tentando alertar a catástrofe que se aproxima.
O autor sabe muito bem retratar pontos históricos. Envolve o leitor com ritmo e suspense. Consegue passar aos personagens toda carga emocional de enfrentar uma situação limite. Hartmann está do lado alemão, defende a resistência e ao mesmo tempo faz parte do staff alemão. Legat, um amigo de faculdade, está do lado inglês, onde segue a carreira diplomática. Ambos tentam evitar o acordo entre as nações sobre a Tchecoslováquia. Não faltam detalhes de perseguição e momentos de tenção para os dois amigos.
A obra descreve com maestria a figura eminente de Hitler e seus seguidores. Chamberlain mostra o quanto temia-se uma nova guerra e a pouca resistência às demonstrações de força do inimigo. O acordo de Munique cede às aspirações alemãs. A tentativa dos amigos de revelar as verdadeiras intenções de guerra acaba sendo um desastre. Mesmo assim, o livro detalha pontos históricos interessantes e dá ao leitor uma fotografia detalhada do clima na Europa. Uma obra de suspense e espionagem bem inteligente e esclarecedora.

Uma breve história do mundo de Geoffrey Blainey

Por ser um apaixonado por história, me interessei pelo livro. Com poucas páginas, o autor teria mesmo que ser breve para contar tudo. Não esperava grandes detalhes, mas o livro é inteligente. O ritmo é alucinante, muita coisa em pouquíssimo espaço. Mesmo assim, a visão do autor e a forma de exposição dos assuntos são interessantes. A lamentar, a falta de uma sequência mais rígida para contar os fatos. Misturar, ir e vir, no tempo, acaba confundindo o leitor.
Blainey tem uma visão inteligente diante da história. Muitas vezes valoriza situações que outros historiadores descartam. É assim com a importância do Sol e da Lua, dos rios e do mar. Porém, a boa explicação sobre a religião ao longo do livro, é bem interessante. Ele consegue mostrar, desde antes de Cristo, durante e principalmente depois, como as religiões influenciam e desenvolvem valores ao longo da sociedade. Dessa forma faz o leitor perceber coisas onde a fé não permite que as perceba. Exemplos ao longo do livro: “A tendência da religião é florescer com mais vigor quando a vida cotidiana estava em perigo ou havia muita dor.”
Apesar do ritmo alucinante, o livro é bom. Na parte final da obra, o autor desenvolve sua tese, sua explicação para a história. Não é uma visão fácil de interpretar. Há espaços para discordância. É até meio simplista. Porém, num outro trecho do livro há um bom exemplo de algo que realmente interfere na história: “Nenhuma dessas profundas mudanças, alterou a vontade humana, a inquietação humana.”. Acredito mais nessa afirmação do que as influências defendidas pelo autor. Leia, é um bom livro.

Eternidade por um fio de Ken Follett

Editora Arqueiro – 1070 páginas
Último livro da trilogia, O Século. Brilhante narrativa romanceada das páginas da nossa história. O autor consegue com o poder da ficção descrever sentimentos, que os simples fatos históricos com sua frieza de dados, é incapaz de traduzir. O livro percorre pontos importantes desde a segregação racial nos Estados Unidos, até a queda do muro de Berlim e o fim da Guerra Fria.
Deveria ser uma leitura obrigatória para quem não viveu essa fase da história e também para quem viu o bonde passar e não conseguiu entender as profundas mudanças do nosso tempo. Desfilam pela obra personagens importantes como os irmãos Kennedy, Martin Luter King, todos os presidentes americanos até a posse de Barak Obama, os líderes soviéticos até Gorbachev, vários ditadores, o Papa e o líder Lech Walesa.
Os fatos históricos são sempre desenvolvidos a partir da visão dos personagens do livro. Uma leitura muito crítica pode encontrar pontos de resquícios ideológicos. Porém, é impossível negar aos fatos a importância e as reações que eles causam na sociedade. Temas com drogas, cultura, resistência política dos dois lados, são muito bem descritos e observados.
Esse enorme desfile pelos fatos que marcaram esse século dedicado à Guerra Fria e aos movimentos sociais, termina com a queda do muro de Berlim e o encontro de família separadas por esse marco da humanidade. Apesar de ser um livro onde conta-se a história, a obra está carregada de relações humanas. É uma leitura que exige interesse, o livro é extenso. Mesmo assim, considero uma obra obrigatória. A trilogia toda merece ser lida, em especial este último livro pela proximidade dos fatos e da importância deles no cenário atual.

O Elo de Alexandria de Steve Berry

Record – 558 páginas

Um dos autores que mais li, Steve Berry segue e estilo de Dan Brown, mistura temas históricos com romance carregado de suspense. Sempre o mesmo personagem, Cotton Malone, agente aposentado, que acaba envolvido na trama. Desta vez o assunto é a Biblioteca de Alexandria e verdades escondidas pelo Velho e Novo Testamento que poderiam revolucionar a Palestina e Israel. A estória começa com a sequestro do filho de Malone para obriga-lo a revelar onde estaria o ( ELO ) homem que poderia desvendar onde fica a famosa biblioteca.
Desde o início o ritmo policialesco do romance é bem trabalhado. O filho de Malone é sequestrado e a mãe do menino usada para localizar o ELO. O interessado no mistério é uma organização de investidores mundiais que planeja lucrar com a informação. Malone e a ex-esposa acabam se envolvendo com o representante dessa organização e passam a percorrer as dicas do ELO até chegarem à lendária biblioteca. Ao mesmo tempo ocorre nos Estados Unidos uma tentativa de assassinar o presidente. O vice-presidente assumiria e está ligado financeiramente à organização criminosa.
O ritmo da leitura é bom com perseguições e mistérios envolvendo os dois temas ao mesmo tempo. A ficção abordada no livro é bem fundamentada. Na Biblioteca de Alexandria existem documentos originais que podem comprovar que Israel, prometida para os judeus, não ficaria na Palestina. Uma revelação dessa no barril de pólvora da região deixaria o mundo de pernas para o ar. A terra prometida aos judeus estaria na Arábia Saudita, um complicador histórico e com componentes econômicos. Também é abordada a manipulação do Velho e Novo Testamentos com fins religiosos. Tudo faria a descoberta dos documentos, uma bomba enorme para o mundo.
O autor também explora o papel dos Estados Unidos como aliado de Israel e o interesse árabe de mudar essa situação. O final da estória é o americano tradicional. Após uma saga cheia de tiros, perseguições e armadilhas, o herói sai ileso. Mesmo assim, a estória é bem trabalhada. O ELO sobrevive para como responsável direto pela Biblioteca de Alexandria, a ex-mulher de Malone mata o rival para salvar seu ex-marido e o presidente desvenda a traição antes da tentativa de assassinato. Não é o melhor livro de Steve Berry, mesmo assim, não deixa a desejar. Merece ser lido.

O dia em que o presidente desapareceu de James Patterson

Record – 502 páginas

PresidenteLivro escrito em parceria com Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos. Trata-se de um suspense. Um ataque terrorista contra os Estados Unidos e a ação direta do presidente para combater e vencer a ameaça cibernética. O livro também ilustra a guerra pelo poder político e em dado momento expõe de forma convincente algumas reações políticas. Nesse ponto é bem interessante e realista.
Lógico que a estória é uma ficção. Muito bem bolada. Desde o alerta de ataque promovido por dissidentes do grupo terrorista, até a descoberta de um traidor dentro da Casa Branca, tudo foi muito bem alinhavado pelo autor. O atentado com um vírus capaz de travar todo o país, também é crível. A estória começa com um alerta de ataque e um encontro dos dissidentes com o presidente americano. A caçada envolve tentativas de assassinatos, perseguição e aquelas cenas bem americanas com tiros, explosões e fugas espetaculares.
Em meio ao caos, o presidente é acusado de fazer contato com um terrorista e esconder o que foi tratado. Um processo de impeachment é aberto e nos bastidores uma tentativa de acertos políticos e busca pelo poder. O vírus é acionado e esse é o ponto mais empolgante da leitura. Uma senha pode salvar os Estados Unidos e ao mesmo tempo entregar o traidor. O fim do mistério é bem persuasivo e surpreendente. A parte final da estória aumenta o interesse do leitor e empolga. Um livro bem interessante e uma estória bem contada. Recomendo a leitura.

A Santa Aliança de A.J. Kazinski

Editora Tordesilhas – 482 páginas

 
Santa AliançaA obra foi escrita por dois dinamarqueses que utilizam esse pseudônimo. O livro não deixa de ser inteligente. Parte do drama pessoal da protagonista, Eva Katz, e avança com um assassinato e muito mistério. A estória policialesca aos poucos vai ganhando contorno político. Questiona a monarquia como instituição e desenvolve uma tese de preservação no poder. O tom policialesco predomina.
Eva perde o companheiro, perde o emprego e fica sozinha com as dívidas do casal. O primeiro drama. Mulher não oficialmente casada com um soldado acaba perdendo a ajuda do estado para seguir a vida. Inserida num processo de ressocialização, Eva acaba se envolvendo com um assassinato misterioso graças ao desenho de uma criança na creche onde vai trabalhar. Tudo acontece meio atropelado. Fica bem forçado o envolvimento de Eva no assunto.
A protagonista que era jornalista, passa a agir como uma investigadora. Furta o celular da irmã da vítima, envolve-se inexplicavelmente com o tema e começa a perseguição policialesca. Aos poucos os autores vão descrevendo o contexto do assassinato. Eva vai alinhavando fatos e motivos que levaram a morte de um lobista da monarquia no cenário internacional. Surge o conceito da Santa Aliança, preservar o poder e os interesses da monarquia na sociedade europeia.
O livro caminha entre o policialesco e as teses da Santa Aliança. Nunca mais profundos do que o pano de fundo do crime. Os fatos misturados vão ditando o ritmo da leitura. Pelo mistério, pelas perseguições e coleta de informações, a estória ganha uma vida. Acaba sendo interessante, mas é superficial. O final do drama policialesco dá a entender que o sistema será capaz de vencer o quadro apresentado e fica a impressão que motivada pela busca da verdade, Eva irá prosseguir com o assunto. Como em toda a obra, pouca lógica, mas uma maneira de contar a estória.

Invasão à Bahia de Aydano Roriz

Editora Europa – 410 páginas

InvasãoO livro trata da invasão holandesa ao Brasil, é um romance histórico, bem-humorado na descrição do povo local e instrutivo sobre as condições políticas da Europa no período. O autor conta sobre a criação da Companhia das Índias Ocidentais, seus objetivos e a organização da invasão. Dá ao leitor um prazeroso retrato do Brasil, Portugal, Espanha e Países Baixos. Em meio ao período turbulento, encontra tempo para paixões entre os personagens.
Os holandeses resolvem criar uma alternativa lucrativa para a Companhia das Índias Orientais e decidem explorar o Novo Mundo. O Brasil, colônia de Portugal que está nas mãos da Espanha, vira o alvo holandês. Abandona-se a ideia de pilhagem. Para enfraquecer a Espanha, dividir suas tropas na Europa e conseguir ganhos econômicos, decide-se pelo desenvolvimento e organização do Brasil-colônia. Ao mesmo tempo, cria-se condições para levar ao poder um novo rei para Portugal e quebrar o domínio espanhol.
No Brasil os holandeses encontram um povo desorganizado, escravocrata e católico. A tomada de Salvador foi fácil. O povo local prefere a fuga do que o confronto, característica brasileira. Os religiosos tentam o poder e perdem para os princípios civilizatórios dos hereges. O livro é muito ilustrativo para a situação da época e merece ser lido. Ao mesmo tempo o personagem principal, o novo governador Van Dorth, vive sua paixão e conquista bem o leitor.
O livro é muito interessante. Dá uma visão diferente dos acontecimentos históricos e ilustra bem uma época importante do Brasil-colônia e do momento conturbado da Europa. É uma leitura cativante, em tom romanceado. Apenas o início da epopeia holandesa no Brasil. Uma visão divertida e esclarecedora da história. Recomendo a leitura.

Dictator de Robert Harris

Record – 407 páginas

DictatorDictator é o último livro da trilogia de Cícero. Um romance histórico sobre a vida de um dos principais lideres do Império Romano. É um relato escrito pelo seu ajudante, Tiro, que acompanhou de perto toda agitada política romana e foi um discípulo de Cícero. O livro é impressionante pelos detalhes históricos e principalmente pelo enredo político que envolvia Roma no seu apogeu e sua queda. Nesse último livro, Tiro conta as mazelas políticas do triunvirato, César, Pompeu e Crasso. Invade o período de ditadura de César e termina com o novo triunvirato Marco Antonio, Otaviano e Lépido.

Para quem gosta de história, o livro é espetacular. Supera o primeiro, Imperium, em conchavos políticos e traições. Consegue superar o segundo, Lustrum, na profundidade dos pensamentos e teorias filosóficas de Cícero. É uma trilogia muito bem pensada e contada de forma romanceada, simples, sem desprezar detalhes sobre toda a política romana. Dá ao leitor uma ilustração de parte da história da humanidade e poderia muito bem servir de instrumento para educação. Eu aconselharia como leitura obrigatória para entender o Império Romano.

O Cícero revelado nas páginas da trilogia, não é só um orador brilhante, estudioso sobre filosofia e ciência política. É um ser humano cheio de virtudes e defeitos. Defende os princípios da República, a divisão de poderes e a democracia. Ao mesmo tempo sofre na vida privada. Por ser uma história romanceada, envolve o leitor melhor do que uma biografia. Perseguido, Cícero acaba degolado, sua língua e mãos expostos pelos seus perseguidores. Tiro, um escravo liberto, fiel, trata de preservar a memória e os ensinamentos desse personagem histórico. Recomendo a leitura.

Rigoletto de Aydano Roriz

Editora Europa – 722 páginas

RigolettoEscritor brasileiro, uma longa estória que promete mistério e um aviso para leitores politicamente corretos evitarem a leitura. Confesso que fiquei surpreso com o livro. Fácil de ler, enredo muito bem trabalhado e recheado com um retrato político do Brasil e suas mazelas sobre corrupção, leis e etc. Um livro interessante do começo ao fim. Na parte do enredo onde são descritas as características de corrupção, nenhum nome, nem alucinações, só um espelho da sociedade. Essa parte é utilizada para dar tempero para a estória.
Tudo acontece num navio de cruzeiro chamado Rigoletto. Bandeira de Malta, deixa o Brasil em direção à Europa. Mortes misteriosas começam a ocorrer em alto mar. O comandante do navio e o chefe de segurança, preocupados, temem os acontecimentos e acabam envolvendo uma jornalista na ajuda para desvendar o mistério. Surgem vários personagens. Entre eles, um juiz aposentado, uma simpática idosa brasileira e sua enfermeira. Todos acabam envolvidos nos misteriosos assassinatos.
Depois de três mortes e do zelo para evitar que o assunto se espalhe por todo o navio, a sequência de mortes continua. Surge uma família asiática, também envolvida com corruptos e mais assassinatos ocorrem. A investigação, as poucas evidências e as soluções improvisadas para resolver cada caso, tornam a leitura bem interessante. Não faltam atrapalhadas na tripulação e enredos paralelos. O juiz de direito passa a conduzir os trabalhos de investigação e varias surpresas ocorrem.
Os assassinatos são mesmo encomendas de corruptos para apagar arquivos. Um anão é o principal suspeito, porém há ajuda de um membro da tripulação. As evidências apontadas no livro ilustram muito bem os problemas brasileiros. Apesar do ritmo dos acontecimentos, a parte final da obra perde um pouco da atenção do leitor. Só nas ultimas páginas a autoria dos crimes é revelada e os criminosos conseguem escapar. É um livro bem interessante e dá um belo retrato de como funcionam as coisas no Brasil. Uma imagem ruim, mas verdadeira.

O Senhor da Torre de Anthony Ryan

Leya – 694 páginas

O SenhorÉ o segundo livro da trilogia “A sombra do corvo”. O primeiro livro, A Canção do Sangue, foi mais interessante. Trata-se de literatura de fantasia. O autor conta a estória de um mundo cheio de conflitos religiosos e com muita guerra e magia. O personagem principal é Vaelin Al Sorna, um guerreiro. Porém, vários personagens ajudam a construir esse mundo de disputas. Incluindo Verniers, uma espécie de contador de estórias.
Vaelin volta ao reino depois de matar o ídolo dos inimigos. No retorno encontra Reva, uma garota induzida por lideres religiosos para vingar a morte do pai e matar Vaelin. Ela acaba acompanhando Vaelin e torna-se discipula do inimigo. Vive cheia de dúvidas, convive com a irmã de Vaelin e acaba envolvida pelo “inimigo”. Vaelin aceita o pedido do rei e parte para o Norte, uma terra distante. Vaelin e Reva se enfrentam. Ela não consegue matá-lo e parte em busca da espada do seu pai. Vaelin transforma a relação com Reva de ódio em irmandade.
No Norte, Vaelin encontra outra pessoa com dons especiais. Ele ouve a canção do sangue que lhe empurra para a guerra. A nova amiga, líder no Norte, desprende-se do corpo e viaja obtendo informações de inimigos. A relação transforma-se em amizade. Vaelin lidera o Norte e várias tribos contra o inimigo que a essa altura invade o reino. Entre os inimigos uma bruxa poderosa compra Frentis, irmão da Ordem, escravizado. Juntos percorrem o reino com vinganças e iniciando a invasão.
A princesa Lyrna promove a paz com o povo das montanhas e na volta vê Frentis e a bruxa matarem seu irmão e tomarem o reino. Frentis acaba se libertando e mata a bruxa. Lyrna consegue fugir e acaba liderando uma rebelião para retomar o poder. As estórias se misturam numa grande guerra. Reva lidera uma parte do reino com seu tio, resistindo ao inimigo. Vaelin corre em socorro da amiga e consegue vencer boa parte dos invasores. Já a princesa Lyrna, pelo mar, completa o serviço.
A estória é longa e cheia de reviravoltas. O livro acaba se tornando cansativo. Perde um pouco do interesse despertado pelo primeiro livro da trilogia. Mesmo assim, é uma boa estória. Na parte final, tudo parece se encaixar. Vaelin sobrevive, o amor de Reva revela-se e Lyrna volta como rainha ao seu reino com a promessa de acabar de vez com o inimigo. O final é um pouco forçado para justificar a existência do terceiro livro. Tomara, menos cansativo do que a segundo.

Contagem Regressiva de Ken Follett

Arqueiro – 317 páginas

ContagemÓtimo escritor inglês, Ken Follett sabe como ninguém misturar ficção com realidade em seus romances. Já li mais de uma dezena de livros do autor. Contagem Regressiva é uma das melhores obras dele. É um livro de suspense e espionagem muito bem trabalhado. A estória é muito dinâmica, cheia de mistérios e interessante. O livro trata de espionagem na Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética na corrida espacial.
Luke, um cientista, acorda sem memória numa estação de trem e aos poucos tenta descobrir quem é e de onde veio. Um dos seus amigos de juventude, Anthony, trabalha para a CIA e é o responsável direto pela situação de Luke. O livro apresenta cortes no tempo para contar o envolvimento de Luke e seus amigos no passado. Anthony persegue Luke com a justificativa de que o amigo é agente duplo e passa informações para o inimigo.
Aos poucos Luke consegue montar o quebra-cabeça de sua vida e descobre que o responsável pela situação é Anthony. A estória ganha mais interesse à medida que outros amigos entram no enredo. Luke acaba aliando-se à uma ex-namorada para descobrir os fatos que originaram sua perda de memória. Ela vira peça chave na estória. A cada página o leitor encontra detalhes do plano espacial americano e aos poucos vai descobrindo junto com Luke o envolvimento dos personagens no mistério.
Luke descobre que sua esposa, é a agente dupla. Ela e Antony são os vilões da estória e uma corrida contra o tempo acontece para evitar que o segredo de um lançamento de satélite acabe nas mãos dos espiões. A estória é cheia de traições, mentiras, ameaças e sabotagem. O ritmo da leitura é intenso e envolvente. Luke acaba salvando o lançamento do satélite e termina seus dias com uma nova família. O final parece ser muito obvio, mas a dinâmica da estória acaba compensando toda a leitura. Ótimo livro.

A Magia da Aurora de S.L.Farrell

O tronoEste é o terceiro livro da trilogia O Trono do Sol, o encerramento do Ciclo Nessântico. Trata-se de literatura de fantasia e mistura política, guerra, religião e feitiçaria. O melhor dos três livros ainda é o segundo a Magia do Anoitecer. Mesmo assim, exageros à parte a estória é muito boa e apesar de utilizar muitos termos difíceis. Não chega a desestimular o leitor, mas cria um peso a mais para o entendimento da estória.
A estória é dividida em três temas. Allesandra a rainha e seu filho que sonha com o trono do Sol estão separados e governam reinos diferentes. Essa crise familiar norteia a obra. A rivalidade entre eles acaba com a necessidade de defender o reino em uma guerra. O papel de Sergei como moderador da crise é importante. Dos dois lados ocorrem estórias paralelas. Allessandra tem um namorado indesejável. O filho Jan se interessa por Rochele, sua própria filha com a assassina Pedra Branca.
Na segunda parte, surge a crise com a religião. Nico Morel é o líder revolucionário que causa problemas ao defender uma fé independente do poder. Nico é irmão de Rochelle, filho de Pedra Branca. O ápice desta parte acontece com Nico enfrentado os sem fé e perdendo a guerra após a morte de sua esposa e o nascimento de sua filha. Varina, a líder dos sem fé, é quase uma tutora de Nico na infância e assume a proteção da filha dele. Os excessos da magia começam a tomar conta da estória.
A parte final é a guerra em si entre os reinos de Nessântico e seus inimigos. Todos se unem contra o mal comum, caminho bem óbvio. A guerra em si é muito irreal com magia além da conta e decidindo tudo. Niente o líder religioso tem sua própria crise familiar com o filho e cede à tentação de protege-lo na guerra. A disputa acaba sendo muito alongada. Mesmo assim, torna-se interessante. Nessântico vence, Allessandra morre e fica no ar a possibilidade de estender a trilogia. Um final sem muita explicação lógica.

O Legado dos Templários de Steve Berry

Record – 568 páginas

TemplariosSteve Berry é um autor norte-americano que usa o mesmo caminho que Dan Brown em seus livros. Escreve uma saga policialesca com tempero histórico e carregada de mistérios. O Legado dos Templários é o décimo segundo livro que leio do autor. Os melhores continuam sendo o Terceiro Segredo, A Tumba do Imperador e O Enigma de Jefferson.
O Legado dos Templários coloca o “herói” Cotton Malone ao lado de sua ex-chefe, Stephanie Nelle, numa caçada em busca de segredos do marido de Stephanie, um estudioso que se suicida sem desvendar tal mistério. O livro começa com a execução do líder dos Templários pelo Rei Felipe IV. A Ordem esconde seu tesouro e junto dele a informação sobre os ossos de Jesus Cristo. Essa é a busca descrita ao longo de toda a obra.
Os templários perdem seu Mestre que antes de morrer prepara um roteiro de enfrentamento entre o vilão Roquefort e o rival Mark, filho de Stephanie, dado como morto e que encontra na Ordem acolhimento. O Mestre tenta proteger a Ordem de Roquefort, um líder disposto a tudo para resgatar e vingar os Templários diante do mundo. Mark envolvido no roteiro do antigo Mestre sai em busca do segredo para conter o inimigo.
Stephanie se envolve no mesmo mistério para resgatar seus sentimentos com o ex-marido. Vira uma peça da emboscada e coloca Malone na busca. Ela acaba descobrindo que seu filho não morreu, envolve-se ainda mais na caça para se aproximar do filho. Tem inicio a aventura entre os dois lados, os templários e a família Nelle. O autor consegue envolver todos na saga com maestria. O maior problema do livro é que a aventura fica muito longa. Há um exagero de detalhes que estendem a estória. Mesmo assim, o leitor encontra um bom ritmo na aventura e mantem o interesse na estória.
No fim do enfrentamento direito entre os dois lideres da Ordem. Existem mudanças na situação para carregar o mistério. Lógico, o lado do bem descobre o legado e decide preserva-lo. Além do tesouro descoberto, o mistério revela uma tese interessante. Uma carta de Simão, Pedro, falando do homem Jesus. A tese explora que não houve ressureição. Jesus é descrito como um líder bom e volta à vida graças aos seus ensinamentos. Não reaparece, ressurge pelas ideias. Assim, quebra a mola que cria o cristianismo e a igreja. Pedro não teria edificado a religião e como Jesus, foi utilizado por outras forças para criar o cristianismo. Um tema bem polêmico que faz o leitor pensar sobre o assunto.

Lustrum de Robert Harris

Record – 412 páginas

 

lustrumLustrum é o segundo livro da Trilogia de Cícero. O livro é melhor do que o primeiro. O autor desenvolve o período de Cícero como cônsul de Roma e após ocupar o cargo, já como pai da pátria. O Romance é contado por seu secretario particular e desta vez, além dos elaborados discursos há movimentação na estória com as articulações políticas de César e muitas reviravoltas que chamam mais a atenção do que no início da Trilogia.
No período como cônsul, Cícero manipula situações e tem um confronto direto com Catilina, um candidato à vaga como cônsul e inimigo declarado do personagem principal. Desde a movimentação antes da eleição para cônsul com compra de votos, a guerra entre facções no senado e muita traição, o capítulo é bem interessante. Cícero não só é eleito cônsul como consegue a segunda vaga para um ‘aliado’. Derruba as pretensões de Catilina e seus financiadores e condena os rebeldes à morte. É um capítulo fascinante. Dá ao leitor algum entendimento da perversidade de quem exerce o poder.
Quando deixa o cargo, Cícero vira herói, é chamado de pai da pátria. Mas seu afastamento rende uma teia de articulações. Ganha inimigos, o principal César. Neste capitulo vai ocorrer a queda de Cícero dentro do Império. Acumulam-se os inimigos, Cícero enfrenta varias situações de enfrentamento. O capitulo é bem movimentado e permite ao leitor passear por uma teia de armações envolvendo o personagem principal. O pai da pátria termina no exilio e perde quase tudo. Lustrum é um livro bem movimentado, cheio de articulações políticas e reviravoltas. Em relação ao primeiro livro da Trilogia, há nitidamente uma evolução. Ótimo para quem gosta de história e muito bom para quem gosta de bastidores do poder.

Vingança em Paris de Steve Berry

Record – 520 páginas

VingançaÉ o décimo primeiro livro que leio do autor. Vingança em Paris não deixa a desejar. É uma estória interessante. Tudo começa com Napoleão Bonaparte e um segredo, invade os tempos modernos com um grupo de especuladores e termina numa caçada alucinante. O Terceiro Segredo, A Tumba do Imperador e O Enigma de Jefferson, ainda são os melhores livros de Steve Berry. Ele mantém a fórmula pesquisa histórica, mistério e uma alucinante aventura.
Napoleão já no exílio e no fim da vida resolve passar para seu filho através de um código, o local onde escondeu o tesouro, fruto de suas conquistas militares. Ele usa um livro como dica para solucionar o enigma. Ninguém consegue resolver a charada e a fortuna de Napoleão vira alvo de um caçador de tesouros. Uma mulher, cujo ancestral era inimigo de Napoleão resolve não só correr atrás da fortuna como dar inicio a um plano, a formação do Clube de Paris, idealizado para manipular situações em troca de poder e dinheiro.
O herói Malone entra na estória por acaso, tenta salvar o filho de um milionário dinamarquês, assassinado por mando do tal caçador de tesouros. O dinamarquês Thorvaldsen quer vingança e a morte do assassino. Ele se infiltra no Clubes de Paris e começa a aventura envolvendo Malone, os Estados Unidos, terroristas e especuladores financeiros. O enredo é muito bem trabalhado, há uma boa amarração na estória para envolver todos os personagens, que terminam em tiros, perseguição, explosões e muito suspense.
A leitura é dinâmica, gostosa e bem interessante. O leitor não consegue prever os passos da ação, mesmo sendo uma questão lógica. Terrorismo internacional, fatos históricos, tudo é bem misturado e prende o interesse. Existe o absurdo como saltos em aviões e etc. Mesmo assim a estória não cai no ridículo. Quem gosta do estilo aventura vai adorar o livro. Os fatos históricos são apenas pistas do mistério. A obra poderia ser um pouco mais profunda, mas agrada e prende o leitor.

O último encantamento de Mary Stewart

Hunter – 489 páginas

ultimoEste é o último volume da Trilogia de Merlin. Apesar de ser gostoso de ler, o conteúdo deixa a desejar. A autora forçou algumas situações e acabou transformando a estória em fantasiosa demais. A obra é dividida em quatro cidades por onde Merlin passa. O final do livro é frustrante. Merlin “morre” ao longo do percurso, volta à vida e acaba recluso em sua caverna, sem um ponto final para o personagem.
A estória começa em Dunpeldyr. É a parte mais movimentada do livro. Merlin viaja para reconhecer o terreno para os planos de Arthur. Tenta localizar o filho do Grande Rei, Mordred, se depara com as artimanhas de Morgause com o rei de Lot e o assassinato de varias crianças. Nessa parte do livro, Merlin conhece o menino Ninian que desperta seu interesse e morre afogado. Vários personagens surgem no capítulo e cada um será amarrado na parte final da obra, um cuidado excessivo da autora.
Em Camelot, Merlin ajuda a construção da fortaleza de Arthur. Nesse capítulo o personagem central acaba “envenenado” e passa a sofrer crises. Aos poucos o grande mago vai perdendo poder. Surge a figura de Guinevere, uma nova rainha para Arthur. Até pelo fascínio de Camelot na lenda de Arthur, esperava bem mais do que a arrastada estória desenvolvida pela autora.
Já em Applegarth, Merlin descobre a traição da rainha. É o capitulo mais romântico do livro. Arthur acaba reconhecendo a solidão da rainha, perdoa sua traição, mas enfrenta e mata o rival. A rainha tem como uma paixão camuflada pelo braço direito de Arthur. Mas é Merlin que dá o teor romântico. O mago conhece Nimue, uma mulher que se passa pelo garoto Ninian e recebe os ensinamentos de Merlin. É Arthur quem abre os olhos do mago, revelando que Nimue é uma mulher.
A parte final do livro se passa em Bryn Myrddin, onde fica a caverna de Merlin. Nimue suga todo o conhecimento do mago, que “morre” conforme uma de suas visões e volta a vida de forma bem fantasiosa. Nesse capitulo há o confronto com Morgause e o reconhecimento de Mordred como filho de Arthur. Aqui a autora força a amarração entre quase todos os personagens do livro. O confronto esperado entre os bruxos e a chegada de Mordred são bem decepcionantes. A estória perde muito do interesse e fica fantasiosa. O final é fraco. Mesmo assim, o livro é gostoso de ler.

Imperium de Robert Harris

Record – 389 páginas

ImperiumO livro despertou meu interesse porque tenho uma queda pelo assunto Império Romano. Lógico que fiquei estimulado para conhecer detalhes da vida do personagem Cícero e mergulhar na história com nomes como Pompeu, César, Crasso e etc. O livro é a narrativa do personagem Tiro, um escravo, secretario particular de Cícero e desenvolvedor de um método taquigráfico.
A obra não deixa de ser interessante. É uma narrativa-romance. Conta sobre a preparação de Cícero e o desenvolvimento de sua principal arma para alcançar o poder, o discurso. Mostra também os apuros dele até atingir seus desejos políticos e descreve as ações dos “inimigos” no meio político de Roma. O leitor irá se deparar com uma fotografia do poder no Senado Romano e com as forças que nele habitavam. Vai também acompanhar as negociações para chegar ao poder e as trocas feitas por Cícero para alcançar sua meta.
A leitura não é difícil, mas o tema acaba cansativo. Falta mais movimentação histórica. Vários personagens são tratados de passagem, quase como simples coadjuvantes do obstinado Cícero e perdem sua importância histórica. O livro poderia ser mais profundo ou didático. É uma trilogia e espero que o contexto da vida de Cícero seja aprofundado nos próximos livros. Para quem gosta do tema ou tem curiosidade sobre o assunto, a obra agrada. Para o leitor menos ligado ao assunto, o livro é cansativo e esclarece pouco nesse universo maravilhoso do Império Romano.

Meia Guerra de Joe Abercrombie

Arqueiro – 365 páginas

Meia GuerraEste o último episódio da trilogia Mar Despedaçado. É o sexto livro que leio do autor inglês. Trata-se de literatura de fantasia. O melhor livro da trilogia é Meio Rei. Toda a estória é meio maluca, mas a trilogia é bem interessante. Em Meia Guerra a estória da disputa pelo entre a Divindade Única e os reinos aliados chega ao final. O argumento da estória, “apenas meia guerra é travada com espadas. A outra metade é travada com palavras”.
Na guerra pela espada, os reis Uthil e Gorm se unem e travam a batalha contra o exército do Rei Supremo. O ritmo da leitura é bem interessante. A batalha cheia de obstáculos e viravoltas. Uthil morre num duelo com o inimigo. Gorm acaba candidato à Rei Supremo e reconhece o poder da amizade com o velho rival Uthil. A vitória só acontece após Yarvi conseguir armas élficas que decidem a batalha a favor dos aliados.
A melhor parte do livro diz respeito à guerra por palavras. Surge a figura de Skara, uma princesa que vira rainha de um reino condenado e com a força de seus argumentos une os aliados e convence os guerreiros a enfrentarem a Divindade. Lógico que existe uma pitada de romantismo entre a nova rainha e seu escudeiro. Skara vira o personagem principal do livro. Tudo gira entorno dela, inclusive as articulações de Yarvi pelo poder.
O desfecho da obra pode era até previsível com a vitória dos aliados. Porém, o caminho que leva à vitória é bem interessante e prende o leitor. É um ótimo livro para quem gosta de literatura de fantasia. Não é carregado de pensamentos e filosofias. Vale pela estória e pela distração da leitura.

O Homem mais inteligente da História de Augusto Cury

Sextante – 264 páginas
O homemNão é o meu tipo de leitura predileto. Mesmo assim, aceitei o desafio de ler a obra. Confesso que de certa forma me surpreendi. Não é uma obra de autoajuda. Eu classificaria como um romance de autoconhecimento. O livro é dividido em duas partes. O lado bom da obra consiste numa série de frases e informações no campo da psicologia. O leitor vai encontrar o controle emocional como principal tese e varias descrições de situações cotidianas que irão possibilitar identificação e características de tipos psíquicos. O livro nesse sentido é interessante e faz o leitor refletir. Ótimo.
Porém, a obra é um romance sobre Jesus. Um psiquiatra renomado e ateu é levado à análise da inteligência do personagem. Forma um grupo para tratar do tema com religiosos e outro cientista ateu, com a mediação de uma seguidora. Começam os problemas. O autor escreve bem, mas peca nos detalhes. Primeiro, o grupo formado para discutir a vida de Jesus sob a ótica da psicologia, nunca discute. Na verdade, é a descrição da tese do personagem Marco Polo. Os religiosos são ouvintes, quase não participam da conversa. O cientista ateu não questiona nada. Definitivamente não há debate algum.
O autor carrega o romance de suspense. Perseguição, tiros, incêndios e etc. Tudo em função do “debate”. Na verdade, sem motivo aparente. O efeito do tal debate seria o mesmo de um senhor idoso fazendo palavras cruzadas na praça. Não levaria ninguém ao pânico. Os personagens também passam por sofrimentos profundos. Cada um tem uma estória trágica. Fica a impressão que só a tragédia leva à inteligência emocional. Nem vou entrar em detalhes sobre Jesus. Trata-se de um romance, não é uma tese teológica. A escritura de Lucas sobre Jesus é aceita porque ele era médico, um homem da ciência e escrevia para outro, não para os outros obterem o conhecimento.
O romance cheio de situações forçadas, estraga o bom conteúdo da obra. Não há o debate anunciado, só um condutor do pensamento. O descrito ateu, cientista, encanta-se com o personagem estudado. A mente de Jesus não é desvendada como anunciado na capa do livro e sim afirmada de acordo com a condução do personagem Marco Polo. O legal do livro é a parte onde a tese psicológica não se mistura com o personagem Jesus. É uma boa fonte de informação e faz pensar.

O Mito de Lincoln de Steve Berry

Record – 564 páginas
O MitoSteve Berry é um autor norte-americano que segue a trilha de Dan Brown em seus romances. Mistura temas históricos com uma saga de mistério. Também tem o seu personagem principal, Cotton Malone, um ex-agente federal. Em suas aventuras mais dois personagens, Stefane sua chefe e Daniels, um fictício presidente dos Estados Unidos. Este é o decimo livro que li do autor. Seus melhores romances continuam sendo O Terceiro Segredo, A Tumba do Imperador e o Enigma de Jefferson.
Em O Mito de Lincoln, Berry lembra da Constituição dos Estados Unidos e trata do tema secessão. Mergulha no passado para ilustrar Lincoln, a guerra de secessão e usa a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma instituição norte-americana, como o “vilão” da estória. Na concepção da constituição não há possibilidade de separação entre os estados, cria-se o cenário da discórdia com a participação de Lincoln, a abolição dos escravos e mais tarde a tentativa do Texas deixar a União.
O tema histórico parece complicado, mas aos poucos vai quebrando barreiras para o leitor. Um dos lideres da Igreja, também senador, defende a secessão e utiliza um fanático religioso na busca por um documento que deixaria em aberto a possibilidade de um Estados separar-se da União. A saga envolvendo Malone é interessante, dinâmica e gostosa de ler. O clima de mistério ajuda a despertar a leitura. Porém, a complexidade da trama atrapalha. No final do livro, o autor explica o que é ficção e verdade na trama. Não chega a ser um dos destaques do autor, mas é um livro gostoso de ler.

Origem de Dan Brown

Arqueiro – 427 páginas
OrigemDan Brown é um dos escritores que mais gosto. Há uma certa empatia natural, ele é jornalista como eu, casado com uma pintora, outra coincidência, e adora um mistério com tempero histórico. Li todos os livros dele. O Símbolo Perdido continua sendo seu melhor livro. Origem é muito bem escrito, a estória prende o leitor num ritmo alucinante e cheio de ação. Recheado com detalhes históricos e suspense envolvendo o tema central.
Outro fato marcou essa leitura. A estória acontece na Espanha. Coincidência, estive na Espanha quando comecei a ler a obra. Ter visitado boa parte dos locais descritos no livro aumentou ainda mais meu interesse. Lamento não ter lido antes o livro, até ilustraria mais a viagem e poderia ter conhecimento mais profundo sobre coisas que visitei em Barcelona e Madrid. Logico que a soma de todos os fatores mencionados, faria o livro me agradar mais. Porém, a leitura de Origem me surpreendeu bastante.
A estória trata mais uma vez do personagem Robert Landon, desta vez num mistério que envolve Edmond Kirsch, um futurólogo ateu, que questiona a origem da vida, adepto da ciência e com ares de vingança contra as religiões. Dan Brown cria um cenário de mistério com Kirsch anunciando uma descoberta capaz de eliminar as religiões do planeta. Coloca líderes religiosos como prováveis vilões do assassinato do futurólogo e dá um ritmo de suspense para prender o leitor.
A revelação da descoberta de Kirsch ao mundo é interrompida pelo seu assassinato. Landon une-se à Ambra Vidal, noiva do príncipe da Espanha, para revelar tal descoberta. A caçada ao casal, o cenário que envolve Barcelona e Madrid com seus monumentos são o tempero de tudo. Porém, a estória dá uma bela virada ao revelar que tanto o assassinato como o envolvimento das religiões citadas no livro, foram uma armação do computador de última geração, Winston. Detalhar, seria contar o livro.
Chama muito a atenção frases inspiradoras de Winston Churchill na obra. Frases inteligentes e dentro do contexto. Outro fator, é a ilustração da família real. Insinua-se um amor entre o rei e o bispo Valdespino. Morrem juntos. O tema Origem é bem trabalhado. Tem lógica apontar uma saída meramente cientifica para a origem da vida. No entanto, a própria obra deixa aberta a porta para a religião. O autor faz pensar no assunto. Origem é um ótimo livro. É inteligente, faz o leitor acompanhar os questionamentos sobre o tema e surpreende no final. Recomendo a leitura.

Cavalo de Tróia 2 – Massada de J.J. Benítez

Planeta – 478 páginas
Cavalo 2O livro conta a sequência da estória de uma viagem através do tempo. Uma força tarefa norte-americana desenvolve uma nave capaz de voltar no tempo e dois astronautas vão ao encontro de Jesus. No primeiro livro, J.J. Benitéz construiu um roteiro mais interessante. Em Cavalo de Tróia 2, desenvolve uma série de polêmicas e tenta criar seu próprio apócrifo sobre a vida de Jesus Cristo.
A estória continua carregada de termos técnicos ou científicos na tentativa de criar algo crível para o leitor. Desta vez o autor carrega mais no momento politico de Israel e do mundo para justificar a sua aventura. Até a decolagem da nave, o leitor fica mergulhado em fatos e imaginações dos bastidores da estória principal. O que realmente desperta o interesse é a ‘visita’ ao passado e os fatos ligados à Jesus Cristo. Perde-se muito tempo para chegar ao ponto principal da obra.
A chegada de Jasão e Eliseu ao tempo de Jesus tem percalços. Descobre-se que a volta no tempo é capaz de acelerar o envelhecimento da dupla. Superada a fase ética de prosseguir a aventura, o autor ganha um “gancho” para dar sequência à obra. A dupla desta vez comete deslizes e não segue o protocolo da missão. Muitas vezes atrasa e precisa correr atrás dos fatos. A missão é comprovar a ressureição de Jesus e desvendar parte da infância e vida desconhecidos do filho de Deus.
A primeira parte, comprovar a ressureição, é cheia de desencontros. Jasão sai da incredulidade para testemunhar duas aparições de Jesus. O inexplicável e as sensações do testemunho afundam as teses técnicas da missão. A investigação sobre o santo sudário anda e não leva a nenhuma conclusão. Até o final do livro, o autor desenvolve o seu apócrifo. Enumera dezenas de fatos não descritos ou na teoria inventados das escrituras. Desenvolve a tese da não virgindade de Maria e dá sua interpretação dos fatos que acompanharam o nascimento de Jesus.
Verdade que o autor alerta na obra pontos polêmicos e que seriam questionados pelos que crentes. Porém suas interpretações são muito mais imaginativas do que convincentes. A estória vai perdendo a direção técnica cientifica para cair na crença do autor. O livro é até interessante pelo lado polêmico, mas vai perdendo credibilidade. Passa a ser uma contestação histórica e quase um apócrifo de autor.

Os Bórgias de Mario Puzo

Record – 419 páginas

BorgiasO livro conta a história de Rodrigo Bórgia, o Papa Alexandre VI, e sua família. Autor de O Poderoso Chefão, descreve o papado de Rodrigo Bórgia como a primeira grande família do crime. Faz um breve relato da origem da família e a eleição do Papa. Parte da relação com os quatro filhos gerados com Vannozza para desenvolver as maldades e intrigas da família e do poder.
O enredo é rico em detalhes da relação pai e filhos. Os sentimentos de Alexandre VI em relação aos filhos e seus planos para manter poder e riqueza. Não faltam perversidades. A relação incestuosa entre os filhos prediletos, César e Lucrézia, incentivada pelo próprio Papa. Surgem personagens históricos no livro como Leonardo Da Vinci, ajuda César Bórgia numa batalha e volta-se para as artes e Nicolau Maquiavel, já como interprete político de Florença.
Alexandre VI é descrito como ganancioso, capaz de sacrificar seus filhos em nome de suas articulações. Usa o amor dos filhos e o poder manipulador de pai e de pontífice. O livro também conta as ações de seu desafeto, o Cardeal Della Rovere, que torna-se o Papa Julio II. A briga politica entre os dois Papas e a tentativa de unificar a Itália. Descreve também o papel de Savonarola, que descreve Alexandre como simionista e herege.
Alexandre VI morre envenenado e com sua morte, vai o império dos Bórgias. O autor também dá crédito aos ‘bons’ feitos do Papa como a liberdade de expressão em Roma. Mostra a capacidade dele em forjar alianças para manter o poder de Roma e da família. É um livro bem interessante e rico em detalhes. Uma ótima leitura e um romance de parte da historia de Roma e da Igreja.

O Herege de Bernard Cornwell

Record – 391 páginas

HeregeÉ o livro final da trilogia A Busca do Graal. O cenário é o mesmo, a Guerra dos Cem anos. Thomas de Hookton em meio à trégua recebe do conde de Northampton a incumbência de partir junto com seus amigos para encontrar o Graal. O conde aconselha Thomas a não levar o amigo escocês Robbie e dá homens para realizar a aventura.
Na primeira parte do livro, O Brinquedo do Diabo, Thomas e seus amigos invadem a cidade fictícia de Castillon d’Arbizon. De um lado o conde de Berat interessa-se pelo Graal como forma de finalmente ter um herdeiro. Surge a figura de Joscelyn, sobrinho do conde. Do outro Thomas ao invadir a cidade encontra e apaixona-se por Genevieve, uma mulher condenada por heresia pela igreja local. Essa mulher desperta em Robbie a mesma paixão e os dois amigos rompem a amizade. Fica a impressão de que o conde de Northampton teve uma visão para recomendar que Thomas não leve Robbie na aventura. O grupo vence Joscelyn em confronto e planeja o resgate. Genevieve mata um padre e a igreja castiga o casal com a excomunhão.
Depois de um longo capítulo, o casal parte em direção à Astarac, cidade que pertenceu à família de Thomas e onde estão os indícios da existência do Graal. Joscelyn torna-se conde e consegue a traição de Robbie. A procura do Graal deixa de ser segredo. Joscelyn monta o cerco contra a cidade de Castillon d’Arbizon. Thomas conhece o abade de Astarac. Vê seu primo matá-lo e foge em direção da cidade sitiada para reencontrar seus amigos.
É na parte final do livro, a Escuridão, que a estória ganha sentido. Uma peste anunciada pelo abade de Astarc e a descoberta do Graal falso, tornam a saga mais interessante. Acontece o esperado confronto entre Thomas e o primo. O final da estória é meio inacreditável. Thomas após vencer o primo, ver Robbie sobreviver à peste, resolve ensinar Genevieve a ler. De um erro da leitura, desvenda o mistério do Graal. Volta a sua cidade e joga o Graal no mar como havia sugerido o abade de Astarac.
O final da trilogia não agrada. Tanta guerra e o segredo da localização do Graal ser tão simples. A estória perde um pouco da credibilidade. O fato do Graal ser tão facilmente jogado ao mar dá a impressão que o autor ficou perdido entre a lenda e a obra. Deu ao Graal um fim sem graça, para não comprometer e lenda. A trilogia é interessante. Gostosa de ler para quem curte aventura. Perde um pouco do encanto com o final.

Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley

Coleção Folha – 253 páginas
AdmiravelApesar de ser mais um da Coleção Grandes Nomes da Literatura, meu interesse pelo livro foi um pouco maior. Explico.A leitura foi indicada pela escola para minha filha de 13 anos. Confesso que mesmo sabendo do que tratava a obra, fiquei preocupado com alguns excessos do livro. Lógico que dentro do contexto da obra, minha preocupação diminuiu e até fiquei satisfeito com a moral apresentada pelo autor.
O livro começa com explicações do autor, na edição da Coleção. A estória começa para valer com a imagem do ‘novo mundo’. Os termos científicos da apresentação desse ‘novo mundo’ tornam a leitura pouco estimulante. A preocupação de pai aumentou um pouco com os jogos sexuais praticados pelas crianças e o uso de ‘soma’, uma espécie de droga para fugir dos problemas. Preocupações exageradas de pai.
A estória passa a ficar interessante quando Bernard leva Lenina para fora do Mundo Novo. Surge a contestação com a experiencia de Linda, abandonada, e seu filho o Selvagem. É justamente na contestação desse Admirável Mundo Novo que está a graça da obra. De um lado uma civilização programada para ser feliz e consumir. Do outro, os sentimentos humanos como amor, maternidade, solidão, artes, ciência e etc.
A melhor parte do livro acontece quando o Selvagem após a morte da mãe, resolve enfrentar esse mundo utópico. Surge a contestação. O capitulo em que o Selvagem e seus amigos são condenados e a conversa com o Administrador são enriquecedoras. A questão da existência de Deus e a visão dos dois lados da conversa sobre o assunto, merece destaque e faz o leitor pensar e entender as diferenças entre um mundo mecânico e os estímulos de bem-estar e a liberdade, com seus instrumentos, como a arte, o sofrimento, a solidão e etc.
Lógico que o livro é interessante. Do meio para a parte final, muito bom. O que o autor não questionou no prefácio da minha edição, quando justificou a ausência de correções na obra, foi o final do Selvagem. A morte dele deixa a impressão de derrota para a civilização não utópica. A resistência ou a existência de um mundo paralelo, daria mais sentido para provar que o Admirável Mundo Novo não é a solução definitiva para a espécie humana.

O Inquisidor de Catherine Jinks

Marco Polo – 395 páginas
InquisitorO livro é um relato do padre Bernard, um inquisidor francês, sobre os acontecimentos envolvendo a troca de poder do Santo Ofício na cidade de Lazet. A estória é cheia de surpresas, envolve traições, poder, amores carnais e a autora faz ao longo do livro citações religiosas através do personagem principal e demostra seu conhecimento sobre o assunto. Livro interessante, menos pelo teor histórico e mais pela tumultuada estória.
Padre Bernard é descrito como um servidor fiel da inquisição, mas com um passado pouco ortodoxo. A morte do seu chefe no Santo Oficio faz chegar um substituo, Padre Augustin. O novo chefe interessa-se por uma possível corrupção envolvendo seu antecessor e investiga antigos julgamentos de hereges na cidade. Padre Augustin é assassinado brutalmente e seu corpo fatiado é espalhado.
Bernard enquanto aguarda a chegada de um sucessor, segue os movimentos de Augustin. Descobre que o padre visitava um grupo de mulheres isoladas da cidade. Augustin teve uma filha, Babilônia, com uma mulher Johanna. No grupo ainda existiam uma senhora Vitália e uma jovem Alcaya, que controlava os ataques de Babilônia, considerados como manifestações demoníacas.
O padre apaixona-se pela ex-mulher de Augustin e passa a proteger o grupo. Ao mesmo tempo, mergulha na investigação da morte do chefe. Chega um novo comandante no Santo Oficio, padro Pierre Julien, esse um caçador de bruxaria, que de imediato vê no assassinato do antecessor e no grupo de mulheres, sinais de bruxaria.
Na briga por manter as mulheres longe das garras do novo chefe e na investigação para o assassinato, Bernard descobre o envolvimento de quase todos os chefes locais com crimes de heresia de antepassados. Todos com motivos para assassinarem Augustin. O verdadeiro assassino é descoberto no final da estória e surpreende.
Padre Bernard é acusado como herege e toda a estória é uma carta onde o padre confessa seus pecados e conta os detalhes do que aconteceu em Lazet. O livro cita torturas, violências, mas foca a estória no emaranhado dos interesses das pessoas para livrarem-se de heresia cometidas por antepassados. A estória é envolvente. Ótimo passatempo.

O Pai Goriot de Honoré de Balzac

Coleção Folha – 268 páginas
GoriotO livro é um verdadeiro drama. Tem como fundo uma crítica à sociedade francesa da época, discute valores como virtude e vicio. Porém é na figura do Pai Goriot que o drama se desenvolve. O personagem principal é Rastinac. Pelo olhar do rapaz que chega a Paris com ambições sociais, que o leitor vai acompanhar a estória.
A leitura é arrastada no começo. Ao longo da narrativa vai ganhando interesse e ritmo. Rastinac é um estudante, veio do interior, sonhando com sucesso e poder em Paris. Hospeda-se numa pensão quase falida e convive com os demais personagens da estória. Entre eles, o Pai Goriot, um senhor que vira alvo de comentários maldosos na pensão. Especula-se sobre seu dinheiro e sua vida. Ele tem duas filhas, confundidas como amantes pelos pensionistas.
Rastinac tenta penetrar na sociedade através de uma prima rica. Vê numa das filhas de Goriot uma chance social. Descobre que o velhote coloca sua riqueza e sua saúde em benefício das filhas e é desprezado. O jovem acaba apaixonado por uma das filhas de Goriot. O drama começa para valer na estória. Rastinac acaba sendo envolvido por um foragido da justiça na tentativa de encontrar um casamento rico. Na trama acontece um assassinato, mas o rapaz escolhe a filha de Goriot como sua alternativa de riqueza.
As duas filhas caem em desgraça. O pai sem condições para socorre-las acaba morrendo. A morte do pobre Goriot e o desprezo das filhas no leito de morte são o ápice da estória. Rastinac acaba como um filho para Goriot. Questiona a sociedade e a virtude. No entanto, o final da estória não tira do rapaz o enorme desejo de sucesso nessa sociedade. O livro é um drama bem amarrado, com vários personagens e muitas nuances. Vai conquistando o leitor aos poucos.

A Caverna de Cristal de Mary Stewart

Editora Hunter – 463 páginas

CavernaPrimeiro livro da autora que leio. Caverna de Cristal é o primeiro volume da trilogia de Merlin. Para quem não sabe, trata-se do mago da lenda de Arthur. A estória é interessante para quem já conhece um pouco da lenda ou leu livros sobre o tema. É um bom passatempo dividido em cinco partes.
Em O Pombo, Merlin é um bastardo, filho da princesa Niniane, que escuta tudo que acontece no palácio. Niniane não revela o pai da criança, rejeita casamento e seu irmão Camlach tenta matar o sobrinho. Merlin conhece a caverna e Galapas, uma espécie de professor. O rei morre, Niniane condena-se à igreja e Merlin foge do castelo.
O livro começa a ficar mais interessante em O Falcão. Merlin tem sua primeira visão, conhece o pai Ambrosius, a revelação sobre a paternidade de Merlin toma boa parte do capitulo. Merlin começa a se interessar pelas visões e adquirir muitos conhecimentos.
A aventura para valer tem início em O Lobo. Ambrosius vai para a guerra. Merlin volta para sua cidade, encontra Galapas morto. É descoberto pelos homens do inimigo como um filho sem pai. O inimigo não consegue construir sua fortaleza e recebe a sugestão de derramar o sangue de um ‘sem pai’ na base da construção para obter sucesso. A pressão do inimigo sobre a paternidade de Merlin é o ápice do capitulo. Merlin ilude o inimigo e solta a previsão da derrota para Ambrosius. Faz fama como vidente.
Em o Dragão Vermelho Ambrosius conquista a vitória. Merlin vira uma espécie de lenda para os soldados. Prevê a vitória e a morte do pai. Conversa com a mãe e chega a se apaixonar. Na Irlanda consegue transportar as pedras da Ciranda dos Gigantes para construir o túmulo do pai.
O capítulo final é A Vinda do Urso. Uther já rei, apaixona-se pela mulher de um Duque. Socorre-se de Merlin. As articulações para realizar o desejo do casal, a invasão do castelo, são muito interessantes. Merlin prevê o nascimento de Arthur, rejeitado pelo rei como bastardo, que dará início a lenda.
A autora se justifica muito sobre nomes e detalhes, sem necessidade. Repete a lenda de Merlin, tirando o brilho da estória do livro. É apenas o começo da trilogia. Não chega a empolgar, mas agrada como passatempo.

O marido dela de Luigi Pirandello

Coleção Folha – 252 páginas

MaridoO livro conta o drama do casal Roncella. Ele, Boggiolo, um funcionário de cartório que ao notar o talento da esposa, Silva, para escrever, resolve dedicar-se à administrar a carreira dela. Silva escreve por intuição. Pouco sabe da arte e trata seu trabalho com algo pessoal. O casal chega a Roma onde Boggiolo organiza um banquete para apresentar a esposa.
Boggiolo não é letrado, mas crê que o trabalho da esposa pode render dinheiro. Vira um abnegado assessor, plantando aqui e ali, sementes sobre o trabalho literário da esposa. Silvia não gosta, nem se adapta a situação, foge de encontros, evita ser simpática. O marido passa a conviver com celebridades, jornalistas e editores. Devido ao sucesso de um primeiro trabalho, lança a esposa como autora de uma peça de teatro.
Mesmo pressionada, Silva escreve a peça e Boggiolo trabalha a execução. Mete-se em tudo. Mesmo sendo ridicularizado, consegue teatro, atores, diretor e muita publicidade entorno do trabalho. Ao mesmo tempo, Silva engravida. No dia da estreia da peça, Silva passa mal. Há suspeita de sua morte. A peça vira um inexplicável sucesso. Sem aparecer em público, a autora vira celebridade. Ela não morreu, mas deu a luz ao filho do casal e parte para o interior da Itália, onde vive isolada junto à família do marido.
Boggiolo larga o emprego e vira definitivamente agente do trabalho da esposa. Consegue prestigio e dinheiro. Larga a avareza e compra palácio e o decora para impressionar a sociedade e a esposa. Silvia perde o último parente, um tio. Sabendo do papel ridículo do marido, que nada vê além dos possíveis ganhos sobre o seu trabalho, decide voltar à Roma e tomar o pulso da situação.
Escrever vira um tormento. A vida na sociedade idealizada pelo marido, um pesadelo. Silvia é induzida à uma nova peça de teatro. Começa a ruína do casamento. Inicia-se o drama com Silvia largando Boggiolo. Desde a suspeita de traição à morte do filho do casal, peça de teatro e drama real se confundem. A estória ganha mais apelo e dramaticidade. O livro não impõe ao leitor pensamentos, mas algumas reflexões. É um bom passatempo.

O Andarilho de Bernard Cornewell

Record – 461 páginas

AndarilhoTrata-se do segundo livro da trilogia, A Busca do Graaal. A estória continua interessante, porém fica um pouco enrolada e forçada no segundo livro. Depois de participar da invasão inglesa na França e Normandia, o arqueiro Thomas segue sua aventura, agora tentado se convencer sobre a existência do Graal.

Flechas no morro é a primeira parte do livro. Thomas e sua comitiva seguem para o norte, onde acontece a invasão da Escócia tentando aproveitar-se da fragilidade inglesa. Para dar sequência à saga, a estória fica forçada. Mesmo assim o cerco escocês aos poucos desperta atenção e o tema Graal passa a ser foco da intriga. Surge o Espantalho, mais um inimigo na vida de Thomas. A vitória dos ingleses traz um novo personagem, o escocês Robbie vira um aliado. Morrem no capitulo Eleonor, filha de Sir Guillaume, gravida de Thomas.

O cerco do inverno leva Thomas e seu novo parceiro ao resgate de Sir Guillaume. Essa parte do livro parece mais a preparação do próximo capitulo. A lógica destrói um pouco a sequência de intrigas. Todos fogem do adversário e seguem são e salvos na direção de La Roche-Derrien onde vai acontecer a melhor parte do livro.

No capítulo final, o copeiro do rei, é onde tudo acontece. Thomas reencontra Jeanette, promete e vai em busca do resgate do filho dela. Cai nas garras do padre Talleiborg. É torturado, entrega os segredos que conhece do Graal para o inimigo. É resgatado em troca do livro do pai e se recupera a ponto de participar da defesa da cidade contra os franceses. A briga para tomar a cidade, a volta que a estória dá e a morte do padre Talleiborg são o ápice da obra. Fica um fio solto. Guy Vexille escapa e deixa pronto o caminho para a saga no terceiro livro.

Férias de Natal de W.Somerset Maugham

Coleção Folha – 252 páginas
FeriasUm livro surpreendente. O leitor começa imaginando ser uma leitura sem pretensões. Um jovem britânico, filho de uma família abastada, preocupada com o futuro do garoto e com a continuidade dos negócios familiares, consegue reverter o desejo do menino de virar um artista. A família incentivou a cultura, o belo e as artes, mas queria mesmo era a manutenção do poder econômico que a vida poderia proporcionar ao jovem Charley.
Como prêmio por optar pelo futuro conservador, Charley ganha férias em Paris. Imagina rever um amigo dos tempos de escola, Simon, um garoto pobre e abusado que virou jornalista e que tinha sonhos exóticos de liderança e destaque ligados ao Stalinismo e fascismo da época. Simon age de forma estranha ao evitar receber o amigo na chegada à Paris e coloca Charley em contato com a prostituta Lidia.
Charley envolve-se com Lidia que narra suas aventuras. A prostituta de origem russa foi casada com um bandido francês, assassino. Ela conta sobre seu marido, o crime, coberto pelo jornalista Simon, e o seu amor pelo assassino. Em meio ao romance, surge o primeiro grande momento do livro. Uma amarrada tese sobre o amor, a importância do sentimento, a influência cristã na concepção do amor romântico. É um momento de reflexão dentro do livro.
A estória de Lidia, seu marido assassino, os detalhes partilhados com Charley, tornam o romance interessante. Porém, é o contraponto da estória que realmente surpreende. No encontro final entre Charley e Simon, que o livro é bem consistente e faz pensar. A descrição do mundo de Simon como jornalista, o que encontra sob a máscara da convenção social é incrivelmente factual. O autor espelha nessa situação, de forma clara, os tipos sociais do meio jornalístico. E valem também para outras profissões. É um retrato social, digno de tese.
Simon, o maluco do romance, discorre também sobre honestidade política e democracia. A conversa entre os amigos vira um tratado social. Simon justifica a ditadura, base dos movimentos sócias da época. Guardada as devidas proporções, ao falar de convenções sociais, democracia, discurso, ação, amor e sentimentos, o livro fica tão profundo que deveria ser indicado nas escolas para fazer pensar. No final, Charley retorna a sua bolha social. Pela experiencia das férias de Natal, deixou a inocência, mas parece feliz ao retomar seu caminho. O livro é surpreendente.

O Poderoso Chefão de Mario Puzo

Record – 461 páginas

ChefeEste é o livro que serviu de base para a trilogia de Coppola no cinema e dificilmente a imagem de Marlon Brando como Don Corleone vai sair da memória do leitor. Todo mundo conhece a estória. Don Vito Corleone é o chefe de uma das famílias mafiosas de Nova Iorque. Jurado de morte por vingança na Sicilia, Corleone vive nos Estados Unidos, longe de estar ligado à Máfia.
O personagem acaba aceitando o destino e cria sua própria família. Vito Corleone é descrito como alguém extremamente justo, carismático, hábil e inteligente. Entra no crime assassinando um adversário. Constitui entre amigos a hierarquia da família. Troca favores com seus protegidos e ganha o respeito de todos. Transforma-se num padrinho, quase um tutor na sua área de influência.
O livro começa com o casamento da filha de Don Corleone. Mostra detalhes de sua família e o desejo de encontrar um sucessor. Baleado por rival interessado em narcóticos, ele era contra, vê seus filhos envolvidos na trama para manter seu império. A estória ganha movimento. Um dos filhos é afetado pelo incidente e sai da linha de sucessão. Sonny, o mais ativo dos filhos, toma o poder e enfrenta os rivais com desejo de vingança.
O filho que não se interessava pelas atividades da família acaba vingando o pai ao matar seu inimigo e a estória vira. Michael Corleone foge para a Sicilia e ao retornar assume o poder familiar. As idas e vindas da estória são muito interessantes. A morte de Sonny, as intrigas entre as famílias mafiosas, o genro violento que facilita a morte do cunhado, os amores de Michael Corleone e a vingança após a morte de Don Vito Corleone prendem o leitor.
Como a estória foi consagrada pelo cinema, os personagens da tela ganham vida com a leitura. Fica um gostinho de quero mais para o leitor. O livro é muito bom, gostoso de ler, mas perde um pouco por ser explorado com tanto sucesso na telona.

A redoma de vidro de Sylvia Plath

Coleção Folha – 239 páginas
A RedomaO livro conta a estória de Esther Greenwood, uma jovem estudante e escritora, muito depressiva e com pensamentos suicidas. Foi o único romance da autora, confundido como autobiografia. Autora e personagem tem os mesmos sentimentos. Redoma de vidro sugere uma proteção, na obra torna-se um mundo de distúrbios psiquiátricos.
Esther é descrita como uma jovem promissora, sempre agraciada com bolsas de estudo devido à sua dedicação. Ela visita Nova Iorque para acompanhar um grupo de moças e a viagem começa a mudar sua vida. Primeiro envolve-se num encontro amoroso. Começa a questionar seu futuro como escritora numa editoria. Conta sobre um relacionamento que não quer levar adiante e entra em conflito com seus sentimentos.
A jovem Esther ao voltar para casa entra num surto psicótico. Surge a tentativa de suicídio e a consulta psiquiátrica. Os primeiros choques elétricos iniciam um período trágico. Vem a internação, a convivência no sanatório, a perda da virgindade e o suicídio de uma amiga. A estória termina com a saída de Esther do sanatório. É um final sem graça para uma sequência de transtornos.
O livro tem momentos de humor, mas é depressivo. Não faz pensar, mas choca o leitor com as circunstancias que envolvem a personagem e o desejo de suicídio. O ritmo da estória é bom apesar do tema indigesto. Não deixa de ser um bom livro.

O voo da vespa de Ken Follett

Arqueiro – 413 páginas
O vooEste é o décimo primeiro livro que leio do autor. Ken Follett é um autor muito inteligente, que sabe amarrar como ninguém vários personagens em torno de uma estória. Ele tem certa paixão por temas ligados à Segunda Guerra Mundial e a espionagem. O voo da vespa acompanha esse fascínio. O livro é muito dinâmico e interessante.
A estória envolve a Dinamarca tomada pelos nazistas. Aviões bombardeiros da Inglaterra estavam sendo derrubados com facilidade pelos alemães. Na tentativa de descobrir como isso era possível, é recrutada uma analista que viveu na Dinamarca, Hermia, e que tinha um noivo por lá. Ela era responsável por um grupo denominado Vigilantes Noturnos.
O noivo de Hermia, chamado Arne Olufsen, era da ilha de Sande, dividida entre os Olufsens e seus rivais os Flemmings. Arne servia a força aérea dinamarquesa. Seu rival Peter Flemming era policial pró nazista. Peter sonhava ser o chefe do seu departamento e numa ação para como um jornal da resistência alcançava o exterior, começou a investigar espiões. Ele tinha ódio dos judeus por um acidente que paralisou sua esposa.
O vilão Peter Flemmings mata um espião. O irmão de Arne, Harald, descobre a base militar na ilha e supõe ser uma espécie de radar. Na base tinha a poderosa Freya, um radar capaz de localizar os bombardeiros do inimigo e abate-los. Hermia acaba envolvendo Arne na espionagem. Peter se envolve com uma colega da polícia e na busca dos espiões vinga-se dos Olufsen, colaborando para a expulsão de Harald da escola.
Aos poucos o cerco se fecha e Peter desconfia dos Olufsen. Prende Arne que se mata para não entregar o irmão, destacado para fotografar a base militar nazista. A estória de perseguição toma conta do enredo. Harald e uma irmã de um amigo judeu resolvem fugir da Dinamarca num avião bimotor. Os fugitivos viram os principais personagens da saga. Planos de fuga, problemas com o avião, idas e vindas na trama e até a paixão entre os dois tomam conta da estória.
Harald e sua namorada conseguem fugir após perseguições, combate aéreo e muitas surpresas. Apesar do fim ser bem evidente, todo o enredo envolve o leitor pela criatividade do autor e sua irresistível amarração entre os personagens. Além de uma caça de espionagem, o livro mostra uma estória de vingança. Livro muito interessante e prazeroso como quase todos do autor.

O americano tranquilo de Graham Greene

Coleção Folha – 215 páginas
O americanoDizem os críticos que Greene costuma dividir sua obra entre romances e entretenimento. O americano tranquilo é exatamente isso, um romance e um bom entretenimento. Foge um pouco da chatice da maioria dos livros da Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura. A obra é surpreendente. Simples, não promete muito, mas acaba envolvendo o leitor.
O livro conta a estória de um jornalista que cobre a Guerra do Vietnã e que tem uma jovem amante local. Fowler é um repórter inglês que evita interpretar a guerra e se envolver no conflito. Ele encontra o americano Pyle, nasce uma amizade e o interesse do americano na amante de Fowler. No início da obra, Pyle é assassinado. A mulher, Phuong, volta a viver com Fowler e desperta a suspeita do envolvimento do repórter na morte do amigo.
Pyle, apaixonado, insiste em conseguir com o amigo a liberação de Phuong. É mais jovem, tem a intenção de casar e tirar a mulher da guerra e consegue apoio na irmã mais velha da moça. Fowler convive com a insegurança da relação e o desejo de permanecer com a menina ao seu lado. Na insistência, Pyle salva Fowler após um ataque em meio à guerra. Fowler cede aos desejos do amigo, sem antes tentar uma separação da esposa que vive na Europa e viver a possibilidade de sair do Vietnã para exercer cargo de editor no jornal onde trabalha.
Fowler que insiste em ser neutro na guerra, acaba se envolvendo com a resistência local. Descobre que Pyle, movido pela ideologia, trabalha com a fabricação de bombas e de acordo com o interesse americano, apoia um dos lados da batalha. Fowler vê muita desgraça na guerra e acaba sendo uma testemunha de um ataque que mata crianças, mutila pessoas e faz vítimas onde poderia estar Phuong. Movido pela revolta da situação, sabe da participação de Pyle no atentado e entrega o amigo para a resistência.
A morte de Pyle, a desconfiança da polícia em Fowler, os detalhes da guerra, seus efeitos na consciência de Fowler, sua relação com Phuong, sua tentativa de divórcio e de permanecer na área de conflito para ter Phoung ao seu lado, prende o leitor. Apesar de não esconder seu pensamento sobre o conflito, o livro não faz um tratado sobre a guerra e seus efeitos. Narra situações como num romance. Acaba sendo um ótimo entretenimento para o leitor, justificando a fama do autor de misturar romance e entretenimento como principal característica.

A farsa do rei de Steve Berry

Record – 466 páginas
A farsaO americano Steve Berry é um escritor que me agrada muito. Ele usa a fórmula de Dan Brown em seus livros. Sempre uma estória misteriosa, com fundo de verdade, enfrentada por um personagem, o herói dele é Cotton Malone. Dos nove livros que li dele, os melhores são O terceiro segredo, A tumba do Imperador e o enigma de Jefferson. A farsa do Rei é uma leitura bem atraente. Mistura uma lenda do menino de Bisley, uma crise internacional e um momento pessoal conturbado para o personagem principal.
A estória começa com a morte do Rei e um segredo. Aos poucos o foco muda para a rainha Elizabeth I. Segundo a lenda do menino de Bisley, Elizabeth na verdade era homem. Era um filho do Rei impossibilitado de chegar ao trono. Tudo é revelado em meio à uma crise internacional. Um terrorista seria libertado e causaria um desconforto aos Estados Unidos. Para fazer os ingleses interferirem e evitarem a libertação do terrorista, surge a Operação Farsa do Rei.
O objetivo era forçar a Inglaterra a fazer a Escócia não libertar o terrorista. Caso fosse provado que Elizabeth I era homem, suas ações seriam canceladas e a Irlanda do Norte não existiria. Seria um desastre para o Reino Unido. Para preservar o segredo os ingleses criaram uma sociedade fictícia, Détalo. O livro é muito bem amarrado e com ótimo ritmo de leitura. A disputa envolve Malone e seu filho Gary. O menino descobre não ser filho legitimo de Malone e ao passar um feriado juntos para discutir o problema, acabam se envolvendo na confusão.
O pai legitimo de Gary é o responsável pela Operação Farsa do Rei. Mortes, mistérios, uma verdadeira caçada, espionagem, códigos e dados históricos são as bases do enredo. Steve Berry explica no final da obra o que é ficção e os detalhes reais que compõem o romance. Não chega a ser um dos melhores livros do autor, mas está entre os livros bem recomendados e gostosos de ler.

Mrs. Dalloway de Virginia Woolf

Coleção Folha – 188 páginas
Mrs DallowayMais um livro da Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura. É o décimo terceiro livro da coleção que li. Confesso que até agora foram poucos os livros que me agradaram. Repito, não faço julgamento de estilo, importância histórica da obra e etc. Ler com prazer é aprender. Todo livro é importante para aprendermos algo, motivo pelo qual leio até aquilo que não me agrada hoje e muitas vezes ao reler encontro coisas interessantes que passaram despercebidas.
Virginia Woolf é uma escritora inglesa. Toda a obra acontece num mesmo dia e retrata pessoas e sentimentos ao redor da personagem Clarissa Dalloway. A autora mergulha nos sentimentos do personagem, seu passado, seus amigos, seu marido e a preparação de uma festa promovida pela personagem. Clarissa conta um envolvimento homossexual na juventude. Revê um dos seus pretendentes a casamento. Revela dúvidas sobre ter feito a melhor escolha. Revive sua vida em várias lembranças até o momento da festa que encerra a obra.
O ir e vir da estória, os vários personagens, tornam a leitura cansativa e às vezes o leitor imagina-se num labirinto. Chama a atenção o fato de Clarissa ser o retrato de uma camada social da Inglaterra de sua época. Na estória existe um doente mental, Septimus. Curioso, ele comete suicídio atirando-se pela janela. A autora morreu de suicídio em 1941. Ela era considerada maníaco depressiva, mesma doença que descreveu em Septimus, quase duas décadas anterior a sua morte. Achei o livro um tanto depressivo e de leitura cansativa.

O arqueiro de Bernard Cornwell

Record – 444 páginasO arqueiro

Primeiro livro da série A busca do Graal. Havia lido a trilogia As crônicas de Artur do mesmo escritor e gostei muito. Nessa nova aventura o autor utiliza a Guerra dos Cem anos como cenário. Tudo começa com o garoto Thomas numa pequena aldeia da Inglaterra. Thomas é filho de um padre que guardava a lança de São Jorge como relíquia. Acontece uma invasão francesa na aldeia e a lança é levada da cidade. Morrem todos na invasão e só Thomas sobrevive. O garoto prometido para ser padre como o pai, fazia arcos e treinava escondido. Ele usa seu arco para atingir um invasor e passa a ser arqueiro. Promete resgatar a lança de São Jorge com vingança.
Thomas entra no exército e participa da invasão inglesa na Bretanha. Na tomada da cidade de La Roche-Derrien, destaca-se e encontra seu primeiro grande rival, o cavalheiro Sir Simon. Também conhece e apaixona-se por Jeanette, viúva do conde e mãe do sucessor. O garoto tem seu nome, Charles, o mesmo do duque francês, irmão do rei. Thomas tenta livrar Jeanette das garras de Sir Simon planejando a morte do rival. O assassinato dá errado e o casal é obrigado a fugir. Como penitencia para o erro, Thomas recebe a incumbência de cumprir a promessa de resgatar a lança de São Jorge. Jeanette é estuprada pelo Duque e é obrigada a deixar o filho nas mãos do inimigo. O Casal foge em direção à Normandia para encontrar os ingleses.
Na Normandia, Jeanette abandona Thomas e vira mulher do príncipe de Gales, o jovem Eduardo, filho do Rei da Inglaterra. Thomas entra no exército novamente, perdoado pelo assassinato do escudeiro de Sir Simon graças à um acordo entre os nobres da expedição. Participa da tomada da cidade do seu ‘inimigo’ Guillaume d’Evecque, invasor de sua terra na Inglaterra. Na tentativa de localizar a lança salva a filha do rival, Eleanor. Sir Simon aproveita descuido e tenta enforcar Thomas. O arqueiro é salvo pelo médico de Guillaune, descobre que a lança foi roubada por sua família, os Vexille, seu verdadeiro inimigo. Apaixona-se por Eleanor e volta para o exército inglês.
Na última parte do livro acontece a batalha de Crecy onde os ingleses derrotam os franceses e é apontada como o inicia da Guerra dos Cem Anos. Jeanette foge. Em meio à batalha Guillaume localiza o Vexille que contratou Sir Simon para derrotar os ingleses e restituir o poder dos Vexille na corte francesa. É o capitulo mais sangrento do livro. O inimigo chamado de Arlequim escapa da morte e a vingança continua de pé apesar de localizada a lança de São Jorge.
O livro é bem interessante e dinâmico. As aventuras de Thomas são bem conduzidas, inclusive os romances da estória. Por contar batalhas, descreve mortes, sangue e violência. O arqueiro não fica distante dos bons livros das Crônicas de Artur. É uma leitura intrigante, cheia de mistérios, idas e vindas e surpresas. Um ótimo livro.

O compromisso de Herta Muller

Coleção Folha – 175 páginas

O CompromissoFoi o décimo terceiro livro da Coleção Grandes Nomes da Literatura que eu li. Poucos realmente me empolgaram. Apesar de Prêmio Nobel em 2009, O compromisso, é uma daquelas leituras pouco agradáveis. O livro acaba sendo cansativo e o vai e vem da estória dificulta ainda mais a concentração do leitor. Não questiono conteúdo, importância histórica, só dou a impressão de quem lê a obra, até o final.
O livro conta a estória de uma trabalhadora, perseguida pela polícia secreta por mandar bilhetes em roupas destinadas à Itália, oferecendo-se, com a intenção de arranjar um casamento para poder deixar o país. Não há uma abordagem política explicita na obra. Na verdade, o que são relatados, em primeira pessoa, são os sentimentos e as emoções da personagem.
A personagem pega um bonde para o compromisso, ser interrogada pelo serviço secreto, e pelo caminho vai misturando seus sentimentos com a paisagem. Conta sobre seu primeiro casamento, a separação, o encontro com Paul, atual marido, entregue ao alcoolismo, a vizinhança, sua amiga Lili que se relacionava com homens mais velhos e morreu ao tentar fugir com um veterano do exército. Fala da sua família, conta ter tido relação com seu chefe numa viagem a trabalho e como vingança, a denúncia do chefe para o serviço secreto.
O livro todo parece uma grande salada. É preciso atenção para separar os ingredientes dessa salada e entender a estória. O fim do livro é tão estranho e sem explicação como a obra toda. A personagem enlouquece e fim. Nada de muito sofisticado ou rebuscado.

A chave de Rebecca de Ken Follett

Arqueiro – 343 páginas

A chaveO autor que mais li nos últimos tempos. Inverno do Mundo é o melhor livro até agora. Escritor inteligente, sabe trabalhar dados históricos com ficção como ninguém. Apesar da fama, A chave de Rebecca, deixa a desejar. Segunda Guerra Mundial, o livro trata de uma estória de espionagem, menos envolvente do que no livro As Espiãs do dia D ou O homem de São Petersburgo. Mesmo assim, o livro é um bom passatempo e fácil de ler.
O espião Alex Wolf entra no Cairo via deserto para roubar planos dos ingleses e favorecer a Alemanha na guerra. Do lado inglês, Vandam, um militar que trabalha com informações, é o encarregado de bloquear o inimigo. Ambos conseguem aliados femininos. Wolf usa uma dançarina do Cairo e Vandam descobre Elene. A relação do lado inglês vira romance. No lado alemão, um triangulo amoroso.
Wolf consegue informações sigilosas e acaba sendo localizado graças às notas falsas que os alemães lhe deram como verba. A perseguição começa pra valer. A estória ganha movimento e interesse. Morte, traição, violência, sexo e todo o envolvimento para escapar da perseguição ajudam a criar um clima envolvente. Elene se interessa por Vandam e o romance da estória fica garantido.
Chave de Rebecca é o código usado por Wolf para passar as informações para os alemães via rádio. Trata-se de um livro. Só usando o livro é possível desvendar o código. Wolf sequestra o filho de Vandam na fuga após vários cercos frustrados. A caçada chega à fase final. Um pouco óbvia. O fim da estória sofre um salto com Wolf preso e os alemães derrotados. Faltou esclarecer como aconteceu.

O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde

Coleção Folha – 173 páginas

O retrato de Dorian GrayUm dos melhores livros da coleção Grandes Nomes da Literatura. A estória é muito interessante, um culto a aparência física. Em meio à fábula, o autor consegue passar frases que fazem o leitor pensar. Uma obra muito inteligente. Escrito em 1890, consegue ser atual e fácil de ler. Também apresenta um pouco de mistério. Impressiona a facilidade do autor em expor ideias e informações ao longo da obra, sem perder o fio da meada ou a fábula contada.
Dorian Gray é um homem bonito que serve de modelo para as pinturas de Basil Hallward. O pintor apresenta seu modelo para o amigo Henry que inicia uma amizade com Dorian e começa a interferir na personalidade do personagem principal. Hallward faz um retrato de Gray, diz transferir todo o sentimento que tinha pelo modelo para a tela. Dorian Gray é retratado jovem, bonito e puro.
Halward dá o quadro para Dorian Gray. Tem início a interferência de Henry na formação do personagem. O autor passa a relatar pensamentos e filosofias entre os dois amigos. A influência de Henry começa a mudar o caráter do personagem. Dorian Gray apaixona-se por uma atriz de segunda categoria. Leva seus amigos para conhecer sua nova paixão. A decepção com a performance da atriz faz o personagem perder o interesse nela. Após o rompimento, a atriz morre e o personagem descobre que suas maldades e sua aparência mudam no quadro pintado pelo amigo.
Dorian Gary começa a cultivar maldades. Faz coleções de perfumes, vestes, joias e etc. O autor mergulha em informações e curiosidades históricas das peças do personagem. Vira uma viagem muito interessante. O personagem acaba assassinando o pintor Basil Hallward como vingança pela existência do quadro mágico. Algumas citações do livro interessantes :“Os homens casam porque estão cansados, as mulheres porque são curiosas e ambos terminam desapontados ”.“ Só há dois tipos de pessoas fascinantes, as que sabem nuto e as que não sabem nada. ”.“ O único encanto do passado é ter passado.” A obra termina com a morte de Dorian Gray. Um livro inteligente, bem escrito e que vale a pena ler.

Meio Mundo de Joe Abercrombie

Editora Arqueiro – 366 páginas

Meio MundoSegundo livro da trilogia Mar Despedaçado. É o quarto livro que li do escritor inglês. Obra de fantasia. Numa comparação com o primeiro livro da trilogia, Meio Mundo, deu a impressão que o autor prepara um grande final para a estória. Esse segundo livro tem como personagem a guerreira Thorn, uma arma nas mãos de Yarvi, o principal personagem da trilogia.
Thorn é uma menina que tenta ser guerreira e cai na armadilha do instrutor. Acaba matando um colega de lutas e condenada ao apedrejamento é salva por outro colega, Brand, que será seu parceiro de aventuras e se tornará seu amante. Yarvi, agora um ministro religioso, usa Thorn para seus ardilosos esquemas. Thorn é instruída por uma outra mulher e torna-se a principal guerreira à serviço de Yarvi.
Filho da rainha e sobrinho do rei de Gettland, Yarvi renunciou ao trono no primeiro livro e agora como ministro e chefe religioso, tenta evitar uma guerra contra o Rei Supremo que manipulado por sua ministra, a principal chefe religiosa, tenta impor um Deus Único e instituir um reino unificado. Para isso acumula aliados, um deles o principal rival de Gettland, o quebrador de espadas, assassino do pai de Yarvi e também do pai de Thorn, a quem ambos juraram vingança.
Cercado de inimigos e com o rei de Gettland declarando guerra, Yarvi sai em busca de aliados pelo Mar Despedaçado. Usa uma embarcação com velhos conhecidos e incorpora Thorn e Brand na missão. Tem início a série de aventuras do livro. Thorn e Brand tornam-se os heróis da estória. Thorn completa seu aprendizado. Com sua força conquista a confiança da nova imperatriz da Primeira Cidade e a aliança desejada por Yarvi contra o Rei Supremo.
Yarvi e sua mãe querem evitar a guerra. Eles adoecem o Rei de Gettland para evitar o previsível duelo com o quebrador de espadas. A rainha torna Thorn seu escudo e o duelo para definir a questão é transferido do rei de Gettland para Thorn, escudo da rainha. A lenda diz que nenhum homem seria capaz de derrotar o quebrador de espadas, uma mulher na luta poderia diminuir a confiança do carrasco.
Em meio à batalha, quando Thorn parecia condenada, o inimigo comum muda o jogo. Ele não mata Thorn e quebra seu voto de obediência ao Rei Supremo, vira aliado de Gettland para a guerra final, terceiro livro da trilogia. As aventuras de Thorn, sua instrução como guerreira, os sentimentos de Brand que sonha ser guerreiro e descobre ser um aliado da paz, o romance entres os dois, as artimanhas de Yarvi na condução da negociação e as batalhas tornam a leitura bem agradável. O livro não é tão interessante como o primeiro da trilogia, mas bem agradável.