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A política da arquibancada

A política da arquibancada virou mania nacional. Primeiro de tudo, os erros e a corrupção serviram de bandeiras para conquistar a plateia. Usar as bandeiras para atrair torcedores sempre foi recurso conhecido. Com as denúncias, os escândalos e falcatruas, a arquibancada começou a encher. Já não importa mais o jogo político. Além disso, virou objeto de interesse o movimento das arquibancadas. Fazer a massa gritar ou responder é a norma. Uma jogada de efeito basta para criar clima de vitória.

Criamos uma aberração. Porque, transformamos um jogo onde a razão seria uma peça importante, numa competição de paixões. Como resultado, basta um movimento acrobático e a massa responde sem pensar. Acima de tudo, transferimos do campo para a arquibancada de paixões, o poder conduzir o processo. Invertemos a lógica. É a razão que deve despertar o interesse, não os gritos apaixonados da plateia. Como num futebol imaginário, ninguém mais presta atenção no campo. Basta que a gritaria seja grande e já definimos a vitória de quem berrou mais.

Mais digno de nota, ninguém observa o campo de jogo. Nele, os erros acontecem dos dois lados, da direita e da esquerda. O público, agora apaixonado, fica cego aos erros do seu time. Nem nota, quando sai um gol-contra. Erro do árbitro, tem acusação de parcialidade e vibração de favorecido. Ninguém sabe a regra do jogo e nem tem interesse no placar. Tem quem torça sem sequer olhar para campo. Acima de tudo, criamos um torneio de massa de manobra. Triste e quase irremediável.

Previdência e a reforma

Previdência e a reforma proposta pelo atual governo tomam conta das discussões políticas. Além disso, setores da sociedade, compraram a ideia e uma onda de publicidade começou a defender posições. Primeiro de tudo, lógico que sou a favor de uma reforma no sistema previdenciário. Porém, no caso brasileiro, a tal reforma precisa ser acompanhada de justiça. Por essa razão, não podem apontar os aposentados como judeus do nazismo. Eles não foram os irresponsáveis pelo caos que existe. Os verdadeiros responsáveis são aqueles que hoje, impõem soluções e apontam o dedo para quem vai pagar a conta.

O que precisamos é uma reforma com justiça e sem distorções. Além disso, os economistas quando querem encontrar uma solução para um problema, elegem um alvo e atiram. Para justificar a amplitude de suas ações, utilizam a expressão “ceteris paribus”, o que significa, manter inalteradas todas as outras coisas que podem interferir no caminho apontado. Dessa forma, tratam do que querem e desprezam os efeitos do problema. Assim, fica fácil usar a lógica e a matemática para dizer, aumentem a idade para a aposentadoria e consertamos boa parte do problema. Solução simples, fácil de entender e pronto.

No Brasil, a previdência foi e ainda é, arma política. Além disso, as distorções do sistema são enormes. Como resultado: funcionários públicos, políticos, juízes, militares e uma série de categorias foram beneficiadas com proventos bem acima da média daqueles que, no setor privado, cumprem as regras para ganhar o benefício. Acima de tudo, fazer reforma com justiça social é, no mínimo, acabar com as distorções. Por essa razão, com poucos ganhando muito e muitos ganhando pouco, a situação ficou grave. Finalmente, sem acabar com esse abuso, não haverá reforma justa.

Além disso, o alvo está errado. Não são os mais velhos, que contribuíram 35 anos para poderem receber o benefício, os responsáveis pelo caos. Certamente, aqueles que em menos tempo e com salários muito acima, até dos vencimentos da ativa, que descarrilharam o trem. Como resultado, a conta tem que ir para a pessoa certa. Fazer da previdência uma regra única para todos, seria o caminho para justiça social. Ainda mais, para aqueles que viraram vítimas do sistema. Reformar a Previdência, sou a favor. Ainda mais, com justiça. Não corrigir o contraste entre os beneficiários e não unificar as regras do jogo, é fazer barulho para culpar inocentes e esconder os verdadeiros culpados.

Uma estória que existiu no meu coração

De repente a porta bateu e com força………..
O som foi seco, curto, como um bilhete inesperado
O coração bateu cada vez mais rápido e forte
Como areia numa ampulheta, a esperança começou a sumir
Passou como um relâmpago tudo na minha cabeça
O começo, o meio e o fim…..
As alegrias, os bons momentos, as marcas ruins e o desassossego
Veio a escuridão e o silêncio….
Era como arrancassem as páginas de um livro que eu gostava de ler
O sentimento era devastador
Roubaram a minha estória…..me impediram de prosseguir….
A dor ficou insuportável e virou lágrima
A minha estória não faz parte da sua vida….
A areia de esperança da ampulheta sumiu como as minhas fotos
Ficou um vazio, um buraco, uma poça de solidão…..
Triste final para uma linda estória que só existiu no meu coração.

O Justiceiro que tava aqui sumiu !!!!

Na história recente do país foi elevado à condição de herói nacional, um juiz de direito que bravamente enfrentou colarinhos brancos e políticos desonestos. Virou tema de livro, filme, teve reconhecimento internacional e aplausos merecidos da população. Nosso herói era o Justiceiro. Em recente entrevista, ele considerou a palavra pejorativa. O significado é simples, é aquele que faz justiça ou é partidário de uma justiça rigorosa. Sim, o termo se ajusta perfeitamente ao perfil do nosso herói.
Ele teve participação decisiva para desbancar uma quadrilha e colocar atrás das grades personagens que envergonharam a população, traindo ideais e no desvio de conduta, enchendo a burra de dinheiro público. É verdade que alguns métodos do nosso herói, beiraram ao exagero. Vazamentos, conversas entre os criminosos divulgadas na TV e etc. Nosso herói correu riscos, mas fez a Justiça prevalecer e até suas armas acabaram justificadas. Com ou sem exageros, com ou sem métodos audazes, fez-se Justiça.
Nosso herói trocou de fantasia. Deixou de lado a roupa de Justiceiro e vestiu-se de Vingador ao aceitar um Super Ministério, “uma janela para não só impedir retrocessos, mas contribuir der maneira mais incisiva para avanços”, assim justificou. A troca de fantasia foi à Jato e nosso herói aderiu à uma causa. Errou feio. Deixou de servir ao país para servir à um senhor só. Sua visão de longo alcance ficou turva. Ao assumir como Vingador, perdeu o ar de herói que adquiriu como, Justiceiro.
Por falar em Justiça, ela é cega. Não no tom pejorativo do brasileiro, para não ver o que se faz de errado, mas na condição de não ver distinção entre personagens de um crime. Cega para não ver classe social, situação econômica, filiação partidária ou nascimento. Nesse ponto, nosso herói me decepciona. Ao aderir à causa, perdeu o furor pela Justiça cega, passou a enxergar seletivamente. Explico, na mesma entrevista ele diz, “Quem é liderança tem que dar exemplo”.
Passou a advogar para a causa. Há fortes suspeitas de “rachadinha” envolvendo o filho no novo César. Nosso herói faz vistas grossas. Nem para ajudar a esclarecer o assunto e evitar o vexame. Filho 01 ou 02 tem direito à defesa e o dever de esclarecer o assunto para não ser injustiçado. Nenhum personagem do escândalo prestou esclarecimento. Sumiu o motorista e seus fieis depositários. Isso aumenta a suspeita e inviabiliza a Justiça. Me decepciona o Vingador. Quero de volta o Justiceiro, que parece estar desaparecido como as testemunhas da “rachadinha”.

Filho de César não basta ser honesto

Na recente eleição brasileira o povo deu o seu recado. Ninguém suporta mais as trapaças dos políticos tradicionais. A punição foi escolher novos discursos e promessas radicais. Vestido com novas cores surgiu o eleito. Já na campanha alguns desvios de conduta foram relevados. O discurso duro contra a impunidade venceu. O país viveu o reflexo da Lava Jato e das ações de quem conduziu o processo, o juiz Sergio Moro. Eficiente, criou a imagem de paladino da justiça.
Nem a turma sentou na cadeira do poder, a imprensa fez sua parte e o jornal O Estado de S.Paulo revelou que um policial aposentado, motorista e parceiro de 01, o filho de César, movimentou uma quantia de dinheiro inexplicável. Vários funcionários da Alerj ( Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) depositavam na conta do motorista nos dias seguintes ao pagamento dos servidores. O motorista sacava em dinheiro vivo. Aliás, os assessores do filho 01 também depositavam na conta motorista.
Ninguém pode acusar o filho 01 de nada. Ainda sobre a estranha movimentação financeira do motorista. César emprestou dinheiro. Parece mesmo estranho que alguém que movimenta uma fortuna em espécie precise apelar para empréstimos pessoais. Ninguém pode acusar César de nada. A coisa é toda estranha. O motorista sumiu, ninguém esclareceu coisa alguma e ficaram as duvidas e as inconvenientes interpretações sobre o que essa movimentação financeira descoberta pode revelar.
O novo ministro da Justiça é o paladino contra a corrupção. Deve estar se coçando para entrar em cena com uma ação esclarecedora e punitiva. O Limpa à Jato deve punir antes que os efeitos devastadores da corrupção, seja quirela ou triplex, atinja a esperança da sociedade que nas urnas clamou por justiça. O povo que deu recado na eleição quer limpeza. Ao filho de César não importa que seja honesto, tem que acima de tudo, parecer honesto.

É preciso entender e exercitar o voto

Brasileiro não sabe votar. A frase é rodada e possui certo teor de verdade. Esqueça o lado ideológico da afirmação e reflita sobre o que tornaria essa infeliz frase em algo ultrapassado. Exercitar o voto é algo que aproxima o eleitor da verdade. Simples, tentativa e erro. Porém, considero uma forma mais inteligente para esse exercício democrático, esclarecer o que o eleitor está fazendo na eleição. Para descomplicar a ideia vamos separar bem as coisas e definir para o eleitor em que ele está opinando com o seu voto.
Simplificar é o caminho. Não dá para conscientizar o eleitor médio da importância do seu voto se tudo está embolado. Parece proposital e dificulta a coisa. Eleições isoladas seria uma solução interessante. Eleição federal, separada das eleições estaduais e municipais. O eleitor teria a oportunidade de entender o processo político e valorizar ainda mais seu voto. Eleição a cada dois anos. Para deixar bem claro, eleição federal isolada. Eleições estaduais e municipais juntas dois anos após a federal. Lógico que iria precisar de ajustes, mas seria mais lógico o processo eleitoral.
Na eleição federal votam no presidente, senador e deputados. O eleitor teria mais oportunidade de refletir sobre o assunto. Talvez seja interessante explicar o que fazem senadores e deputados. Para isso já ajudaria ensinar o que faz o Poder Legislativo idealizado por Montesquieu. É onde são elaboradas as leis e onde deveria ser fiscalizado o Poder Executivo. São dois lugares onde esse poder é exercido: Câmara Federal e Senado. O local onde esse Poder é executado é o Congresso Nacional.
Na prática o Senado funciona como segunda instância da Câmara de Deputados. No Senado existe a prerrogativa de debater, acolher ou revisar os projetos dos deputados. Os Deputados são os representantes eleitos pelo cidadão para propor leis e defenderem a Constituição Federal. Também exerce a fiscalização do Poder Executivo. Como a esfera federal é o principal poder politico da nação, seria conveniente ao eleitor ter a oportunidade de votar separado dos demais poderes. Ajudaria a entender o assunto.
O ponto fundamental para a plena compreensão do voto é acabar com o sistema proporcional adotado no país. Chega de vaga por legenda. Chega de puxadores de voto ou estrelas populares para levar um político sem apelo ao Congresso. O simples é funcional. Só ocupa vaga quem foi eleito por ter mais votos. Acaba a injustiça de um deputado não ocupar o cargo em função do esquema partidário. Teve voto, é eleito. Nada de barreira ou fidelidade partidária. O voto deve ser valorizado e com ele a vontade dos eleitores.

Tempos difíceis

Falar de política alimenta inimizades, mas o cenário é desesperador. Estamos próximos de uma eleição e vivemos no Brasil uma situação crítica. Os eleitores foram traídos por um líder que trocou a militância sindical pelo paz e amor para se eleger e depois trocou seus princípios por um plano de poder baseado em favores e dinheiro público. Elegeram um poste diante da fragilidade de despreparados e desesperados pelo poder. A barganha virou sinônimo de brasilidade. A esperança foi empacotada numa bolsa e o país virou um jogo entre mortadelas e coxinhas.
Com razão, os eleitores ficaram decepcionados e passaram de vitimas para indignados. As portas da radicalização foram escancaradas e as ruas se transformaram em massa de manobra. Patos foram lançados como alegorias de carnaval. Os indignados viram afundar no mesmo balde de lama os novos salvadores. De mortadelas e coxinhas, o jogo virou para encarcerados e condenados. Do sarcófago da intolerância escaparam novos líderes. Uns conhecidos, outros empacotados de novo.
É compreensível a reação de boa parte da sociedade. Traídos e desamparados, agarram qualquer tipo de boia que permita sobreviver na superfície da crise moral que passamos a viver. Virou guerra, radicalização. Terreno traiçoeiro e fértil para imbecis em busca do poder. Na eleição, os candidatos ao posto de presidente são os piores possíveis. Falarei de cada um deles nos próximos textos. A mediocridade só piora a situação. O cenário é mesmo desesperador. De candidato preso a candidato esfaqueado, nossa democracia virou motivo de chacota internacional. Viramos uma república de bananas.
Os tempos são mesmo difíceis, as alternativas que nos apresentam ridículas, mas precisamos sobreviver aos riscos da imprudência. Não dá mais para desprezar a política como um câncer ou um assunto a ser evitado. O problema é que seremos conduzidos por políticos e escolher, hoje, é evitar a tragédia do arrependimento pelos próximos quatro anos. O voto é a consciência de cada cidadão. É preciso pensar, comparar, repensar, escolher, assumir a escolha para a sua consciência. Votar não seguir um bando ou escolher o lado dos vencedores. Votar é a manifestação da sua consciência diante da sociedade. Quem vence é a maioria, assim funciona a democracia, mas quem vota é o indivíduo e seus princípios.
Pense, vote com aquilo que você acredita, não entre em discursos radicais, pense e analise. Escolha o que você quer para o seu filho. É uma boa dica, pense no futuro dele e nos riscos que ele pode encontrar nesse ou no outro caminho. Tenha na sua consciência a virtude de tentar indicar o certo. Respeite o outro. Não imponha solução para as outras pessoas. Por princípio, na democracia todos tem o dever de defender suas convicções. Impor sua escolha não é ser democrático. Viver com diferentes é sabedoria. Forçar sua vontade para os demais é ser vulgar e desrespeitoso com a consciência do outro.